Morre Paulo Planet Buarque, histórico conselheiro do São Paulo Futebol Clube
Morre Paulo Planet Buarque, histórico conselheiro do São Paulo Futebol Clube
Por Marcos Micheletti - 13/02/2026 17:00
O dirigente tricolor ao lado do Rei do Futebol
O São Paulo Futebol Clube está de luto. Morreu nesta sexta-feira (13), aos 98 anos de idade, Paulo Planet Buarque, conselheiro vitalício do clube desde 1973, que tornou-se sócio do Tricolor em setembro de 1942 e foi eleito para o Conselho Deliberativo por cinco mandatos consecutivos, entre 1954 e 1970.
Ainda não há informações acerca dos cerimonias fúnebres de Paulo Planet Buarque, que foi jornalista, nasceu em 8 de outubro de 1927.
O São Paulo Futebol Clube, por meio de seu site oficial, lamentou a morte do seu conselheiro vitalício, enfatizando seu papel no clube.
"Além da atuação política, teve papel relevante na estruturação do clube. Foi diretor do Departamento de Propaganda entre 1954 e 1956 e participou ativamente de um dos maiores marcos da história são-paulina: a construção do MorumBIS. Como membro da Comissão Pró-Estádio, ajudou a transformar em realidade o grande sonho da torcida Tricolor".
ABAIXO, A HISTÓRIA DE PAULO PLANET BUARQUE ESCRITA POR ELE MESMO, QUE ESTÁ EM SUA PÁGINA NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO
"Nascido aos oito de outubro de 1927, significando, comecei minha vida aos onze anos de idade, trabalhando como office boy numa empresa estabelecida na Rua Direita a Lyon Fabril,que era uma casa de tecidos, onde lavava a loja,a calçada e depois ir fazer os embrulhos, que entregava à noite,na residência das freguesas.
De lá até aqui, uma longa história com passagens como comerciário, bancário, garçom, entregador de mercadorias, cobrador, pagador, sempre, contudo, estudando o que me permitiu chegar ao Bacharelado em Direito, o sucedido nos idos de 1954. Uma pequena permanência como advogado militante na Casa Almeida Silva e Cia Ltda, de onde sai para ser Procurador do Estado, lotado no Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, depois Deputado Estadual por dez anos, sendo ali, líder do Governo na Assembléia Legislativa, reeleito no segundo mandato como o mais votado do Estado.
"Depois fui para o Tribunal de Contas do Município de São Paulo onde me aposentei depois de trinta anos de serviços, primeiro como Ministro depois como Conselheiro, Presidente da Instituição em seis oportunidades e premiado pelos meus pares com o meu nome dado ao Plenário da Instituição. Não sem que antes, tenha sido, igualmente, Chefe de Gabinete do Presidente do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, Sub Chefe do Gabinete Civil da Presidência da Republica (sob a Presidência de Jânio Quadros) em São Paulo, Chefe de Gabinete do Presidente da Delegacia Regional do Trabalho em São Paulo, membro do Gabinete do Governador Jânio Quadros, no Palácio do Governo, integrante das Comissões do Constituição de Justiça, da Educação e da Reforma do Constituição do Estado, na Assembléia Legislativa, Detentor da Medalha Tamandaré concedida pela Marinha do Brasil. Presentemente, como advogado integrante da Ordem dos Advogados sob o número 8891, integrante da Comissão da Ética dessa entidade e membro do Conselho Jurídico da Federação do Comercio do Estado de São Paulo, atualmente simplesmente atuando, novamente, como advogado da Edgard Leite Advogados Associados!
Sócio do São Paulo F.C. desde os idos de 1939, sob hoje o associado número 52, tendo sido Presidente do Conselho Deliberativo do referido clube em duas oportunidades por dois anos, cada vez. Fui ainda, por um ano, Diretor do Departamento Profissional do referido clube em 1962 quando fomos vice-campeões, superados apenas pela maravilhosa máquina de jogar futebol que era o Santos da época de Pelé (ele também assumiu a presidência do Tricolor Paulista, em 2005, por cerca de 15 dias, durante a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, no Japão - o São Paulo bateu o Liverpool, da Inglaterra, por 1 a 0 e conquistou o tricampeonato mundial. Marcelo Portugal Gouvea, então mandatário do Tricolor, foi para o Japão com a delegação e deixou Paulo Planet como responsável pela presidência).
Já fui membro do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, integrei com muita honra, a equipe constituída por Paulo Machado de Carvalho para ganhar a nossa primeira Copa do Mundo em 1958, na Suécia, tendo iniciado a minha carreira como jornalista nos Diários Associados, depois na Gazeta Esportiva e na Gazeta, Rádio Pan-americana, depois como comentarista do Edson Leite na Rádio Bandeirantes de onde me desloquei para a Rede Record de Televisão, onde, ao lado do Raul Tabajara, o Flavio Iazzetti e Reali Junior e depois o Silvio Luiz, ganhamos numerosos prêmios como os melhores na área da televisão esportiva, inclusive porque inaugurei na Record as chamadas Mesas Redondas, que eram realizadas todos os sábados à tarde.
Também na mesma emissora, onde fiquei mais de dez anos, além de comentarista de futebol apresentei artistas e tive meu próprio programa: o "Alianças para o Sucesso?, um programa que entrevistava casais para mostrar como,na verdade,maridos e mulheres pouco se conhecem, programa esse que, igualmente, teve dez anos de duração com notável sucesso,liderando sempre a audiência naqueles dias e horários. Quando o deixei, por problemas de saúde da minha mulher, com câncer, tendo que dedicar meu tempo a ela, fui substituído primeiro pelo Blota Junior, depois pelo Jô Soares, o Helio Ansaldo, mas, infelizmente, sem sucesso porque o programa adquirira a minha cara, a minha personalidade. Como cronista esportivo estive presente em todas as Copas do Mundo, a partir de 1950 no Maracanã, de triste memória porque perdemos para os uruguaios na partida final.
Como vê, uma longa vida, uma longa jornada, bonita, se considerarmos o meu inicio bastante difícil, como alias, o foi também a minha e a carreira de Milton Neves, que sempre achei e continuo achando que, finalmente, surgiu o meu substituto na televisão Brasileira".
Na foto, uma reprodução do painel de caricaturas dos redatores da A Gazeta Esportiva em meados de 1957. Da esquerda para a direita, na ordem linear, aparecem os principais redatores daquela época: Olímpio de Sá e Silva, Thomaz Mazzoni, Aurélio Belotti, Carlos Joel Nelli, Hugo Carboni, "Inglês", Luiz Nicolini, Emílio Colella, Sebastião Barbosa, Caetano Carlos Paiolli, Pitta, Paulo Planet Buarque, Solange Bibas, Tito Neto, Henrique Matteuci e o cartunista Messias. Foto: Acervo pessoal
Paulo Planet Buarque e Pelé. Foto enviada por Roberto Saponari
Em nova foto na Mesa Redonda da Gazeta, Iazetti está se pronunciando enquanto os demais integrantes do programa escutam atentamente. O primeiro da esquerda para a direita é Dalmo Pessoa, o segundo é Nelson "Balançando" Oliveira, o quarto José Italiano, o quinto Roberto Petri e o sétimo é o também saudoso repórter Rubens Pecci
Nomes históricos da história do São Paulo Futebol Clube no Morumbi, em 1959. Reparem no palanque simplório de madeira que colocaram próximo à antiga pista de atletismo, que margeava o gramado. Na parte de trás, na parte mais alta do palanque, o terceiro da esquerda para a direita é Henri Aidar e o sexto é Manoel Poço. À frente, da esquerda para a direita, olhando para trás, o primeiro é Paulo Planet Buarque, seguido por Júlio Brisola (de óculos escuros) e Waldemar Mariz de Oliveira. Foto: Sarkis
Alfredo Borba, o segundo da esquerda para a direita, observa Emílio Colella cortando o bolo, sentado ao fundo Paulo Planet e Ary Silva é o último na foto
Após jogo Hungria 4 x 2 Brasil, houve uma tentativa de agressão ao árbitro inglês Artur Elis. Nessa foto do ``Paris Match´´ aparecem os jogadores Bauer e Pinheiro, junto com eles o jornalista Paulo Planet Buarque, agredindo o policial que tentava defender o árbitro
Confira um São Paulo diferente com uma camisa criada pelo jornalista Paulo Planet Buarque, à época conselheiro e Diretor do Departamento de Futebol do Tricolor. Pedro Luiz Boscato, nosso atento colaborador, tem uma história sobre esta camisa, usada pelo São Paulo em três oportunidades: "Uma foi essa da foto, no dia 04 de setembro de 1966, a que eu assisti, no Pacaembu, outra foi no dia 04 de dezembro do mesmo ano, São Paulo 2x1, Armando Marques validou um gol de Rivellino que não foi, a bola foi fora furou a rede e entrou. Além de dar o gol ele ainda expulsou dois jogadores do São Paulo. Em pé, da esquerda para a direita: Osvaldo Cunha, Tenente, Bellini, Carlos Alberto Rodrigues, Fábio e Nenê. Agachados: Paraná, Prado, Babá, Fefeu e Adíber
Montaram um palanque de madeira ao lado do gramado, onde dirigentes do Tricolor assistiram uma cerimônia. Notem a precariedade do palanque. Ainda bem que era baixinho, se caísse não machucaria ninguém... Na 1ª fila, Henri Aidar é o terceiro e Manoel Poço o quarto. Na 2ª fila, o primeiro Paulo Planet Buarque. seguido de Julio Brisola e Waldemar Mariz de Oliveira. Foto: arquivo do fotógrafo Sarkis
Leia a íntegra da legenda da Revista Gazeta Ilustrada: Seis enviados especiais! Este é outro recorde de "A Gazeta Esportiva". Acham-se na Suécia 150 jornalistas do mundo inteiro. Mas, nenhum outro jornal tem seis representantes no IV Campeonato Mundial. Primazia total e absoluta do "mais completo". A maior cobertura jornalística no mundo inteiro sobre o magno certame. É bem uma demonstração da confiança que a "A Gazeta Esportiva" depositou no nosso selecionado, e do desejo de bem servir nossos leitores. Ei-los garbosos nos seus trajes, pela ordem: Planet Buarque, Solange Bibas, Aurélio Belloti, Thomaz Mazzoni, Marcos Reis e Augusto Godoy
Veja acima a Seleção Brasileira com a camisa azul. Da esquerda para à direita- Em Pé: Paulo Planet Buarque, De Sordi, Oreco, Zózimo, Dino Sani, Castilho, Mauro e o técnico Vicente Feola. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo.Crédito foto: Arquivo Nacional. Crédito foto: Arquivo
Didi (dir) e Paulo Planet Buarque: o Príncipe Etíope encerrou a carreira no São Paulo FC.
O presidente Henri Aidar (o terceiro da esquerda para a direita) marcou época no Morumbi. Na foto de 1965, o primeiro à direita é Paulo Planet Buarque
Nicolau Chequer (cronista de Turfe da Jovem Pan, já falecido), Friaça, Vicente Feola, jornalista Emílio Colella, Roberto Luquesi e Paulo Planet Buarque
De Sordi, Lanzoninho e Paulo Planet Buarque, em 1958, em treino do São Paulo, no Canindé
Paulo Planet (à esquerda) em 1963 ao lado do ex-diretor do São Paulo José Cesar Dias
À esquerda Aymoré Moreira e à direita Paulo Planet Buarque
E aqui está outro ícone das mesas redondas da televisão brasileira. Agora sim, atrás de uma bancada redonda da TV Tupi o inesquecível Geraldo Bretas está metendo o pau em alguém ladeado por Pedro Luiz Paoliello e pelo também inesquecível Ely Coimbra. Atrás da foto, ao me encaminhá-la em 1994, Ely Coimbra escreveu: "Milton, faça uma homenagem a esses dois monstros sagrados do jornalismo esportivo: Pedro Luiz e Geraldo Bretas (falecido). É um pedido do seu irmãozinho Ely. Obs: me devolva, é a única foto que eu tenho do Bretas!" Ah, Ely Coimbra, um abraço pra você aí no céu. E vejam como já em 1966 os jornalistas esportivos faziam merchandising estática da Janda, antiga concessionária Simca, e de água mineral. Ou seria "torneral"? Eles podiam fazer, tinham mãos limpas.
Ah, mas que foto linda! Ela é do primeiro trimestre de 1962 e, segundo Celso Grellet, assessor de Pelé, são-paulino e velho amigo de Clóvis José de Azevedo (o quarto da foto), retrata a primeira mesa redonda da TV. Em 1962 eu tinha 11 anos e como em minha casa, em Minas, nunca teve aparelho de televisão, não tenho como precisar, mas, digamos, que esse grupo abaixo realizou uma das primeiras discussões de futebol reunindo um grupo de jornalistas esportivos. E por que "Mesa Redonda"? Quem inventou essa denominação? Vejam o tamanhinho da mesinha que a direção artística da TV Paulista, Canal 5 de São Paulo, colocou no ar para abrigar as feras Pedro Luiz Paoliello (estudante, morou oito anos em Muzambinho-MG entre os anos 30 e 40), Paulo Planet Buarque, Edson Leite (placaaaaaaar...na Suéééciaaaaaa...), Clóvis José de Azevedo, Leônidas da Silva e Vicente Feola. Adoentado, Feola, técnico campeão do mundo de 58, deu o lugar a Aimoré Moreira no Mundial do Chile, meses depois. Feola voltaria em 1966, infelizmente. É que o fiasco no Mundial da Inglaterra foi imenso." Milton Neves
Um dos times de futebol da ACEESP dos anos 60, que tinha como técnico o famoso Armando Del Débbio, ex-zagueiro do Corinthians e das seleções paulistas. Da esquerda para a direita, Odilon César Braz (Bradock), Aurélio Belotti, Édson Leite, Paulo Planet Buarque e outros. Agachados: Emílio Costela, Otávio Muniz, Blota Júnior e na ponta-canhota o Jorge Rodrigues Melo