Sou de um tempo em que as equipes esportivas de jornal, rádio e tevê tinham, no mínimo, cinco repórteres para cada colunista, ou comentarista. Nos bons tempos do Jornal da Tarde a reportagem contava com Sérgio Baklanos, José Eduardo Savóia, Marco Antonio Rodrigues, Castilho de Andrade, Flávio Adauto, eu, Francisco Domingues, Dinoel Marcos de Abreu..., enquanto a coluna ficava a cargo de Alberto Helena Junior e depois de Roberto Avallone.
No Sistema Globo/Excelsior de Rádio a turma de repórteres era formada por Roberto Carmona, Henrique Guilherme, Fausto Silva, Arlérico Jácome, Silvio Ruiz, Márcio Bernardes, Castilho de Andrade, eu... e os comentaristas eram só Carlos Aymard e Loureiro Júnior.
A informação precisa, “quente”, era tratada como o primeiro elo da cadeia alimentar do jornalismo. Por mais que o comentarista tivesse a liberdade de dar sua opinião sobre determinado assunto, ele se baseava em fatos verídicos apurados pelos repórteres, não em suposições ou narrativas, como é comum hoje.
Esta semana fiquei abismado com o pitaco mal-humorado de um participante desses infindáveis programas internéticos sobre futebol. O rapaz fez cara de deboche, quase nojo mesmo, para dizer que era “um absurdo” Neymar não ir para Belém reforçar o Santos no jogo decisivo contra o Remo, porque tinha um compromisso na entidade que criou e patrocina.
E o moço do canal falou com tanta ênfase, tanta indignação, que acreditei que tivesse boas fontes. Logo depois, porém, veio a notícia de que o 10 do Santos viajaria os quase 3.500 quilômetros que separam São Paulo da capital do Pará e estaria, sim, na equipe que enfrentaria o Remo por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.
Como se sabe, Neymar entrou no segundo tempo e decidiu a partida ao fazer a jogada do gol do Santos. Fiquei imaginando a cara do colega que cometeu a “barriga” de comentar em cima de uma informação falsa.
Talvez a necessidade de chamar a atenção pressione essa gente a exagerar no tom, nas caras e bocas que têm a intenção de aumentar a importância dos fatos. Sei muito bem que nos programas falados as longas pausas são proibidas, é preciso preencher o silêncio, mas daí a divulgar informações falsas, vai uma grande diferença.
O grande valor do jornalismo é a verdade. E ela deve ser colhida na fonte pelo repórter e só depois analisada pelos comentaristas. Poucos veículos seguem essa regra, porém. O sensacionalismo incentivado pela Internet elevou o Achismo a um nível tal que a informação precisa, confiável, se tornou apenas um detalhe.