Marquinhos Gabriel chegou com desconfiança ao Cruzeiro

Marquinhos Gabriel chegou com desconfiança ao Cruzeiro

Enrico Bruno
Do UOL, em Belo Horizonte

Em menos de quatro meses depois de voltar ao Brasil, Marquinhos Gabriel é o mais novo campeão mineiro com o Cruzeiro, título alcançado na tarde de ontem após o empate por 1 a 1 que garantiu o bicampeonato celeste diante do rival Atlético-MG na grande decisão. Titular de Mano Menezes, o jogador coroou sua volta com participações diretas no time, e sai muito em alta desse estadual. Desde cedo, superou as expectativas de comissão técnica e até as desconfianças da torcida pelo passado no Corinthians, mas mostrou que pode brigar para ficar no time celeste e até bater de frente com concorrentes de peso.

Apesar de também ter sido pretendido pelo Grêmio e Athletico-PR, Marquinhos Gabriel chegou com desconfiança ao Cruzeiro. Além de não ter deixado uma boa impressão na passagem pelo Corinthians, sua última antes de deixar o Brasil, a distância para os Emirados Árabes e a baixa repercussão do futebol no país do oriente médio diminuíram ainda mais a expectativa sobre o jogador, a princípio taxado como reserva de luxo. Em suas primeiras palavras, reconheceu que esteve em baixa, mas reforçou o desejo de voltar a ser aquele jogador que ganhou os holofotes nos tempos do Santos. Em pouco tempo, apresentou números convincentes e constantes em passes, gols e participações no setor ofensivo, terminando esse Campeonato Mineiro como um dos principais nomes da equipe, senão o principal, na campanha que ainda teve ótimas participações de Fred e Rodriguinho.

Apesar das incertezas sobre o futebol de Marquinhos, Mano Menezes já estava observando o meia há mais tempo no exterior. Quando indicou o reforço, a ideia do técnico era trazer um atleta com características novas. O acerto ficou evidente já nos primeiros jogos que o meia se destacou por dar mais amplitude e versatilidade ao time. Nos compromissos seguintes, vieram os dribles curtos e a eficiência nos passes, que raramente chegam mal feitos aos companheiros. Na primeira final, foi dele o primeiro gol que abriu caminho para a vitória por 2 a 1 no Mineirão. O triunfo foi importantíssimo, já que foi com ele que o Cruzeiro pegou a vantagem e ficou com o título no segundo jogo.

Mesmo com pouco tempo de casa, Marquinhos também mostrou bastante facilidade de adaptação que outros recém-chegados, como Rodriguinho. O calendário mais folgado no ex-clube e as férias vividas no final do ano passado passaram a falsa impressão que ele iria demorar a engrenar. Mas o entrosamento foi quase que imediato, e o meia encaixou no time como se já estivesse jogando há mais tempo na equipe. Do quarteto ofensivo celeste, Fred foi com quem mais Marquinhos se entendeu, contribuindo diretamente para o sucesso do centroavante, que terminou como artilheiro do campeonato.

"Herdeiro" de Arrascaeta no lado esquerdo do campo, Marquinhos Gabriel ainda terminou o Mineiro dando uma boa dor de cabeça para Mano Menezes. No início do ano, seu principal concorrente era David, considerado o substituto ideal do uruguaio. Correndo por fora, estava Rafinha, que nunca se firmou como titular, mas sempre foi utilizado e se tornou uma espécie de 12º jogador. Agora campeão como titular, sua briga vai esquentar ainda mais com a chegada de Pedro Rocha. Recém contratado, o garoto já participou das duas finais do Mineiro e tem tudo para receber novas oportunidades no Brasileirão e na fase de mata-mata da Libertadores, quando já estará disponível para ser inscrito.

Foto: Vinnicius Silva / Cruzeiro

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