Espanha campeã (bi), acabou a Copa de 2026. Para o Brasil o mundial já havia terminado no dia 5 de julho, na derrota para a Noruega, por 2 a 1.
A seleção comandada pelo italiano Carlo Ancelotti caiu nas oitavas de final.
O MetLife Stadium, em Nova Jersey, foi palco de um Brasil apático, sem ideias, mal treinado, aliás como tem sido desde 2006, quando, apesar de ter no gramado estrelas (cadentes) como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Roberto Carlos, foi facilmente eliminado pela França, nas quartas de final, por 1 a 0.
Ok, e daí, o que isso tem a ver agora, quando a copa já faz parte do passado?
Tem a ver porque o futebol brasileiro volta à sua rotina. Jogos do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores da América e Copa Sul Americana, já começam a chamar a atenção de quem gosta e não pode viver sem futebol.
São muitos os motivos que levaram o futebol brasileiro ao fundo do poço desde 2002, quando, mesmo sem muito brilho, a seleção de Luís Felipe Scolari conquistou o pentacampeonato na copa, disputada no Japão e na Coréia do Sul.
A corrupção na CBF existe desde que a entidade ainda não tinha mudado de nome e era CBD.
De João Havelange (que depois foi o todo poderoso da Fifa), passando por Heleno Nunes e todos os outros presidentes, incluindo aí Ricardo Teixeira, que se sair do Brasil pode ser preso, acusado de corrupção, passando por Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo (acusado de assédio sexual por uma funcionária da CBF), o fato é que o futebol brasileiro passou a ser destaque nas páginas policiais.
O calendário do futebol brasileiro só passou a ter um mínimo de organização a partir do início da década de 2000.
Outros fatores colaboraram e muito para a decacadência do futebol que a Seleção Brasileira ousa exibir nos gramados nas últimas décadas. A diminuição dos campos de várzea, por causa da especulação imobiliária, a invasão de empresários corruptos nas categorias de base dos grandes e pequenos clubes.
Hoje nenhum garoto bom de bola consegue uma oportunidade para treinar nas categorias de base de um grande ou pequeno clube se não der dinheiro para o empresário que tem acesso fácil ao diretor reponsável pelo setor.
Tudo isso é fato.
E explica, muito, o festival de fracassos.
Mas temos de discutir também a abertura de mercado para jogadores do exterior, principalmente para os demais países da América do Sul.
Hoje, os clubes brasileiros podem relacionar para uma partida das competições disputadas no país nove jogadores estrangeiros.
É muito.
Um exagero.
E não se trata de xenofobia, pois não sou xenófobo, é bom que eu avise, antes de me cancelarem por aqui.
Para esta temporada de 2026 não dá mais mudar este cenário.
Mas para a próxima temporada seria bom que este assunto fosse discutido. Sim, sei que os dirigentes dos clubes brasileiros querem que a situação fique do jeito que está. Afinal, foram eles, os cartolas, que fizeram questão de aumentar de sete para nove o número de jogadores estrangeiros que os clubes podem relacionar para uma partida.
Jogadores estrangeiros são mais baratos do que os jogadores brasileiros.
Sei disso.
O problema é que quanto mais jogadores estrangeiros fizerem parte dos elencos, menos garotos das categorias de base serão aproveitados no time profissional.
O Santos, que sempre foi um clube revelador de jogadores para a equipe profissional, agora segue caminho inverso.
Vende promessa da categoria de base (Lucca Meireles é um exemplo) e compra jogadores de qualidade discutível, como Lautaro Diaz, empretado recentemente ao Racing, da Argentina.
O Brasil sempre importou jogadores estrangeiros. A questão é que só vinham para o futebol brasileiro os melhores. Cito exemplos: Figueroa, Anchieta, Pedro Rocha, Doval, Romerito, Rodolfo Rodriguez, Ubaldo Fillol...
Atualmente, chegam ao Brasil jogadores de qualidade técnica duvidosa. E chegam de baciada.
Não resolvem o problema do clube que os contrata e tomam o lugar de revelações da categoria de base.
É, sem dúvida, um aspecto que tem de ser debatido no início da temporada de 2027.