Amandine Henry é capitã da seleção da França na Copa do Mundo de 2019. (Foto: Christian Hartmann)

Amandine Henry é capitã da seleção da França na Copa do Mundo de 2019. (Foto: Christian Hartmann)

Ana Carolina Silva
Do UOL, em Le Havre (França)

A França deve entrar em campo com Henry hoje (23), contra o Brasil, pelas oitavas de final da Copa do Mundo feminina. Não estamos falando de Thierry Henry, mas sim de sua "xará" Amandine Henry, craque da seleção anfitriã. Porém, há de se destacar o fato de que o ex-jogador francês estava no elenco masculino de 1998 que começou a mudar a vida das mulheres no futebol.

"A conquista da França de 1998 é uma lembrança muito boa que tenho como torcedora. Eu assisti à final em casa com meu pai, mas agora quero ter uma ótima memória como jogadora", afirmou Amandine Henry. Hoje campeã europeia com o Lyon e uma das líderes desta seleção francesa, ela tinha oito anos de idade quando viu Zidane comandar a vitória sobre os brasileiros.

Os jornalistas Paulin Aubard, do jornal "La Nouvelle Republique", e Antoine Osanna, do "Le progres", disseram ao UOL Esporte que a mentalidade começou a mudar naquele ano. As meninas jovens ainda eram obrigadas a jogar com garotos, mas o interesse delas cresceu. Ainda em 1998, a Federação Francesa inaugurou a ala feminina do CT de Clairefontaine.

Naquela estrutura, as melhores atletas treinavam juntas. Consequentemente, o nível subiu e fez com que clubes famosos passassem a investir nas categorias de base do futebol feminino - neste ponto, destacam-se os trabalhos realizados por Lyon, que é referência na modalidade, e Montpellier.

Hoje em dia, as garotinhas têm oportunidade de imitar craques como Amandine Henry, Wendie Renard e Le Sommer. A meia-atacante Viviane Asseyi, no entanto, teve de escolher um homem como referência no futebol enquanto crescia. Mas não foi um homem qualquer.

"Eu tinha cinco anos quando vi a França ganhar o Mundial e pedi para a minha mãe comprar uma bola. Ela me deu uma bola de plástico, dura, como aquelas bolas de piscinas de bolinhas. Mas eu queria uma bola de futebol de verdade. Queria ser como Zidane", contou a jogadora.

Ela é prova ambulante de como o trabalho em Clairefontaine expandiu os horizontes do futebol feminino no país. Foi apenas ao chegar no CT, aos 15 anos de idade, que ela teve oportunidade de jogar com outras meninas. Antes disso, ela só conhecia uma atleta famosa. Dica: veste a camisa 10 do Brasil, é a maior artilheira da história das Copas e estará em campo hoje.

"Eu sabia vagamente que havia uma seleção francesa feminina e eu conhecia a Marta. Isso é tudo. Eu, estupidamente, pensava que jogar com meninos ou meninas era a mesma coisa. Foi quando cheguei em Clairefontaine aos 15 anos que vi que não tinha nada a ver. Foi quando eu percebi que poderia construir uma carreira", concluiu Asseyi.

Os jornalistas franceses que conversaram com a reportagem no Stade Océane, palco do confronto de hoje, falaram coisas boas sobre a gestão de Noel Le Graet, presidente da federação local desde 2011. De lá para cá, ele colocou mulheres em cargos de comando e poder na entidade, como a ex-atleta Brigitte Henriques, vice-presidente da FFF.

Além disso, o mandatário deu incentivo financeiro aos clubes que se dispusessem a criar times femininos - ao contrário do que ocorre no Brasil, não houve obrigatoriedade.

(Foto: Christian Hartmann/Reuters - retirada do UOL)

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