Gianni Infantino é reeleito presidente da Fifa. Foto: Franck Fife/AFP

Gianni Infantino é reeleito presidente da Fifa. Foto: Franck Fife/AFP

O discurso é de que tudo mudou. Na Fifa de Gianni Infantino, não há espaço para a corrupção e todas as transferências de dinheiro seriam 100% controladas. Na busca por credibilidade, a entidade máxima do futebol demitiu dezenas de pessoas e trocou de forma radical os membros de seu Conselho, o órgão que de fato toma decisões. Mas, quando os centenas de cartolas voltaram a se reunir em Paris nesta semana para o Congresso da Fifa, uma coisa não havia sido modificada: seu gosto pelo luxo.

Dados obtidos pelo UOL mostram que os congressos anuais da entidade são orçados em vários milhões de dólares. Em 2017, a festa e as reuniões dos comitês custaram US$ 14,8 milhões. Em 2018, apenas o Congresso da Fifa em Moscou custou outros US$ 11 milhões, além de US$ 5 milhões para pagar pelas viagens dos dirigentes, hotéis e custos com as reuniões de comitês.

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Salão da conferência anual da Fifa, que reelegeu Gianni Infantino

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Para a festa deste ano, em Paris, os números ainda não estão fechados, mas fontes dentro da entidade apontam que os valores ficariam "em linha" com os gastos de 2017 e 2018. Apenas para hospedar seus principais dirigentes, a Fifa gasta pelo menos US$ 600,00 por noite. E a opção foi por fechar um dos hotéis mais luxuoso de Paris. Na portaria, seguranças deixaram claro que jornalistas não são bem-vindos.

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Salão do Hotel Salomon de Rothschild, em Paris, onde foi realizado o Congresso da Fifa

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Antes mesmo de o Congresso começar, a reunião preliminar do Conselho da Fifa em Paris foi realizado sob forte segurança no luxuoso Hotel Salomon de Rothschild, da família de banqueiros francesa Rothschild. Apenas o aluguel de uma sala por meio período no prédio custa 12,5 mil euros.
Para cada um dos 211 presidentes de federações nacionais, a Fifa ainda enviou um cheque para bancar cada um deles pela capital francesa. Por dia, uma "compensação" de US$ 250,00 foi destinada a cada dirigente que viajou, gratuitamente, até Paris. Nem todos gostaram. A queixa principal era de que o dinheiro não seria dado em envelopes. Mas depositados nas respectivas contas dos dirigentes.

Mais rica do que nunca, a Fifa acumula reservas de US$ 2,7 bilhões. Os gastos com a festa e o Congresso, portanto, não seriam desproporcionais. Mas, dentro da entidade, a crítica que se faz é sobre as prioridades. Para o Mundial Feminino, que começa no fim de semana na França, a Fifa vai distribuir em prêmios apenas US$ 30 milhões. A seleção campeã do mundo ficará com US$ 4 milhões, muito menos da metade do valor gasto para cuidar dos dirigentes que se reúnem uma vez por ano.

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Polonês Zbigniew Boniek (direita) conversa com italiano Fabio Capello no congresso da Fifa

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O UOL esteve dentro do local reservado aos cartolas, em Paris. Ali, num canto, o polonês Zbigniew Boniek conversava com Fabio Capello. Numa outra mesa, presidentes de clubes como Boca Junior ou Penarol trocavam suas opiniões sobre Paris. Não faltavam sheiks, presidentes de super-equipes como o Real Madrid, ex-jogadores, príncipes locais e super-modelos.

Num dos cantos de uma sala enorme, os cartolas poderiam até mesmo se passar por árbitros e testar o funcionamento do VAR. O sistema foi aprovado por eles mesmos. Mas não eram poucos os que se divertiam se passando por auxiliares. Outros ainda tiravam selfies, com os telões de fundo.

O Congresso ainda reservava um espaço bem menos frequentado: um local onde os dirigentes conheceriam os novos mecanismos de controle do dinheiro distribuído pela Fifa. Nos próximos quatro anos, Infantino prometeu distribuir um total de R$ 6,5 bilhões às federações nacionais, cinco vezes mais que Joseph Blatter fazia.

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Estande apresenta o VAR para os dirigentes da Fifa

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Um cartola africano, pedindo para não ser identificado, explicou que o procedimento para receber o dinheiro era o mesmo da década passada. Agora, segundo ele, sua federação apenas tem de preencher mais papeis. "Há muita burocracia", lamentou. O presidente da Fifa, porém, justifica que não irá tolerar a corrupção.

Mas, nem tudo mudou. Há apenas poucas semanas, a entidade foi obrigada a suspender um dos membros do Conselho da Fifa, Lee Harmon, presidente da Associação de Futebol de Cook Islands. Motivo: ele foi pego revendendo ingressos que sua federação havia recebido gratuitamente para os jogos da Copa de 2018, na Rússia. A seleção do pequeno país jamais sonharia em participar do evento. Mas seu chefe sabia exatamente o que fazer com os ingressos.

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