O jornalista doou mais de cinco mil fotos aos dirigentes da entidade

O jornalista doou mais de cinco mil fotos aos dirigentes da entidade

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE SARKIS NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

A Federação Paulista de Futsal recebeu na última segunda-feira (13), na sede do Terceiro Tempo, em São Paulo, o gigantesco acervo do fotógrafo Dallakjan Sarkis, com aproximadamente cinco mil fotos. A doação foi realizada pelo jornalista Milton Neves, que comprou o material diretamente com a família do grande Sarkis, que morreu em janeiro de 2005.

Além de ter fotografado grandes momentos do futebol de campo brasileiro, Sarkis era também figurinha carimbada nos eventos da então Federação Paulista de Futebol de Salão (hoje Federação Paulista de Futsal) nos anos 70, 80 e 90. Ele registrava todas as categorias.

Ele fotografou grandes nomes que já faziam sucesso no futsal, como Douglas Pierrotti, Ramon, Sorage, Miral, Jackson etc., e também tirou retratos de jovens talentos que mais tarde brilhariam no futebol de campo, como Casagrande, Jamelli, Zé Elias, César Sampaio, Sylvinho, Caio Ribeiro, Fernando Diniz, Juninho Paulista, Gilmar (zagueiro do SP), Serginho Fraldinha, Rubinho (goleiro), Thiago Motta, Denys, Martorelli, entre tantos outros.

Representando a Federação Paulista de Futsal, estiveram na sede do Terceiro Tempo o presidente Nilton Cifuentes Romão (Ramon) e o coordenador técnico Daniel Mutti. Retribuindo as fotos doadas, eles entregaram a Milton Neves uma carta de agradecimento e uma camisa da FPFS.

Abaixo, confira Milton Neves entregando o gigantesco acervo de Sarkis aos representantes da FPFS

 

Ramon (presidente da FPFS), Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS) e João Antonio de Carvalho (jornalista do Terceiro Tempo)

 

Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

João Antonio de Carvalho (jornalista do Terceiro Tempo), Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

João Antonio de Carvalho (jornalista do Terceiro Tempo), Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

João Antonio de Carvalho (jornalista do Terceiro Tempo), Milton Neves, Ramon (presidente da FPFS) e Daniel Mutti (coordenador técnico da FPFS)

 

A carta de agradecimento da Federação Paulista de Futsal ao jornalista Milton Neves

Abaixo, leia o emocionante texto que Milton Neves escreveu quando da morte de Dallakjan Sarkis, em janeiro de 2005:

TV SARKIS

"E aí, toca o telefone. Era um certo Sarkis, com voz carregada, sotaque forte de árabe, hebraico, polonês, húngaro, sei lá, não me lembro bem. Ele queria me oferecer fotos, fotos de times e jogadores de futebol. Eu estava começando em 1994 a ser "colunista", numa loucura do Arnaldo Branco que Sérgio Xavier, de Placar, e Nilson Camargo, deste Agora, não abortaram. Fui até o apartamento do fotógrafo Sarkis. Avenida Rio Branco, centro velho, prédio feio, cinzento, homens estranhos, mulheres não casadoiras de vida nada fácil, portaria de hotel de filme afegão e elevador (manual) londrino dos tempos de Jack, o estripador. Cheguei, o velho Sarkis disse-me de cara que eu era "um bem intencionado historiador", mas com fotos paupérrimas. E ele dormia entre elas, dentre elas e com elas. O apartamento era um imenso sótão com caixas e mais caixas de fotos-papel, pilhas de livros, sofás puídos cheios de estranhas máquinas fotográficas, numa desordem completa que me apaixonou. É que Sarkis, no seu mundo particular de vida ao lado de ninguém, tinha milhares de fotos daquilo que mais gosto, além de minha família e de tentar entender o mundo maravilhoso do vinho: jogador de ontem, jogador de futebol "véio". É uma questão de gratidão. Quem jogou futebol e falou de futebol no rádio, forjou meu norte, à deriva até 1971.

E Sarkis tinha o que eu mais queria: fotos de 63, 64, 65, 66, os anos mais felizes de minha vida a bordo de meu velho rádio GE de capa de couro marrom. Aflito, sôfrego, as fotos que via no soturno apartamento davam vida, a cada segundo, a quase tudo que havia ouvido nas vozes de Pedro Luiz, Edson Leite e, principalmente, de Fiori Giglioti. Sarkis pediu três reais por foto. Paguei cinco, levei 615 delas. Em 11 anos de coluna, que não falhou um só domingo, quase todas foram publicadas e, no cantinho, as letrinhas sempre fizeram justiça: "Foto Sarkis". Nem sei se ele via, lia ou se sentia algum prazer. O meu foi e continuará sendo indescritível. Sou bom de rádio, apesar que já fui um Barcelona e hoje estou mais para uma Portuguesa, digamos, em boa fase. Na TV, sou Guarani, e, escrevendo, o Hepacaré de Lorena ou o Seleto de Paranaguá. Mas em duas coisas sou parada dura para perder: na gratidão e no amor ao boleiro de ontem. E boleiro para mim é todo aquele que calçou chuteira ou que empunhou um microfone esportiv
o. Conheço um pouquinho de cada um deles depois de tanto ouvir, ler e ver. E sabem qual foi a melhor emissora que eu vi em toda minha vida" A TV Sarkis. É que essa TV me fez ver quase tudo que só ouvia em Minas e que tanto queria curtir nos estádios e não podia. Mas estou muito triste, mesmo tendo hoje tanta TV para ver o que e quando quiser. É que a principal delas se apagou. As válvulas de minha velha TV Sarkis não agüentaram mais. Sarkis morreu".

Milton Neves

 



Compartilhe:
Imagem Nuvem de Notificações

Você também vai gostar

Últimas do seu time

  • Tabela

  • BRASILEIRÃO 2019

  • Classificação
    Pontos
  • 1 Pal
    13
  • 2 Atl
    12
  • 3 São
    11
  • 4 San
    10
  • 5 Int
    9
  • Veja tabela completa