Lembrarei desta Copa como a mais espetacular de todas. Incluir mais seleções enriqueceu a competição, deu a muitos países – como o inspirador Cabo Verde – o prazer de mostrar seu futebol, sua cultura e sua alma ao mundo, tornou o futebol ainda mais inclusivo, despertou sonhos e emoções.
Ficarei com as boas lembranças, com os belos gestos. Não esquecerei que os ídolos que se despediram das Copas, Neymar e Cristiano Ronaldo, doaram milhões às vitimas do terremoto na Venezuela, e que o norueguês Erling Haaland gastou o equivalente a um milhão de reais para comprar um livro histórico e doar para Bryne, sua cidade, com a condição de que a obra fique em exposição permanente e pública e que se realize um concurso de leitura para estudantes locais (adoro pessoas que gostam de livros e entendem a relevância da leitura).
Não culparei nenhum jogador pela eliminação do Brasil. Bruno Guimarães ainda baterá muitos pênaltis e os converterá, e o garoto Endrick, de apenas 19 anos, ainda fará gols de placa driblando o goleiro e entrando com bola e tudo. Vi o exemplo dos argentinos, que continuam apoiando Messi depois de ele perder dois pênaltis nesta Copa e constatei, mais uma vez, que o caráter de um povo tem muito a ver com a forma com que ele trata os seus ídolos.
Sei muito bem como a mídia influencia a opinião popular. Em 1970, insuflados por jornalistas tendenciosos, 40% dos brasileiros não queriam que Pelé fosse para a Copa, pois “atrapalharia a Seleção”. Como se sabe, ele foi e acabou sendo considerado o melhor jogador daquele Mundial.
Assistimos a essa influência pernóstica novamente. E o pior é que as críticas mais duras vieram de pitaqueiros que jamais chutaram uma bola na vida. Isso me leva a sugerir que seja estipulado um teste de campo básico para alguém que quer ser analista de futebol. Se a figura não consegue chutar, passar, driblar, matar no peito, cabecear, fazer um lançamento, como pode julgar o desempenho dos jogadores?
Que esta Copa está sendo linda e emocionante, não há dúvida, mas nem tudo são flores. Ficamos tão absortos nela que esquecemos todo o resto. Por exemplo: você está ligado que amanhã, dia 10 de julho, a paulistana Luisa Stefani, em parceria com a canadense Gabriela Dabrowski, jogará a semifinal de duplas de Wimbledon e é favorita para chegar à decisão?
Suas adversárias serão a tailandesa Liang En-shuo e a japonesa Shuko Hoyama. Se eu apostasse, cravaria vitória da dupla de Luisa em dois sets. Ela e Dabrowski são as segundas cabeças-de-chave e até agora não perderam sets no torneio. Caso conquiste o título, Luisa estará repetindo o feito da mítica Maria Esther Bueno, campeã de duplas em Wimbledon nos anos de 1958, 1960, 1963, 1965 e 1966.
Sétima no ranking da categoria, Luisa Stefani poderá subir para a quarta posição caso se torne campeã.
E por falar em rankings, recordes e esportes com raquetes, nunca é demais lembrar que o carioca Hugo Calderano, que em abril alcançou a segunda posição na classificação mundial do tênis de mesa, continua entre os top ten (agora é o oitavo) e é o melhor mesa-tenista latino-americano da história.
Enfim, a Copa é tão sedutora que nos faz esquecer outros atletas brasileiros de destaque. Quer um conselho? Tampe os olhos e ouvidos para os imprecadores raivosos , sempre à espera do desastre para destilar seus complexos, e fixe-se nas coisas boas. Para começar, torça para Luisa Stefani amanhã. A garota, de 28 anos, passou por uma contusão grave no joelho que a tirou das quadras por mais de um ano, e agora está aí, dando a volta por cima. Vamos com a Luisa em busca dessa final histórica!