Mesmo em uma era dominada por Pelé, Toninho foi artilheiro do Campeonato Paulista três vezes

Mesmo em uma era dominada por Pelé, Toninho foi artilheiro do Campeonato Paulista três vezes

Não há dúvida de que a Copa é a grande vitrine do futebol. Mas não a única. Medir a importância de um jogador pelo seu desempenho em Copas do Mundo é fácil, mas não é preciso.

Após assistir aos vídeos de todas as Copas, durante o trabalho de curadoria para o Museu Pelé, cheguei à conclusão de que, depois do incomparável Edson Arantes do Nascimento, os jogadores de maior destaque em mundiais foram Garrincha e Maradona, com leve predominância do brasileiro.

Hoje incluiria também Messi. Porém, alardear que um jogador é “o maior de todos os tempos” por ser o artilheiro das Copas, carece de profundidade.

Para começar, com a nova configuração dos mundiais, com muito mais jogos e equipes – muitas delas fracas –, é natural que saiam mais gols e os recordes de artilharia sejam quebrados.

Por outro lado, ao restringirmos a história do futebol aos mundiais, deixaremos de fora jogadores lendários, que por motivos diversos não participaram da competição ou o fizeram quando não viviam o auge da carreira.

Uma briga entre as federações de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, impediu que Arthur Friedenreich, o maior craque do período amador do futebol brasileiro, participasse da primeira Copa do Mundo, no Uruguai, em 1930. Outro que ficou de fora foi o centroavante Feitiço, artilheiro com a maior porcentagem de gols do nosso futebol.

Nem é preciso pensar muito para se lembrar de outros jogadores geniais que jamais atuaram em uma Copa, como Coutinho, Pepe, Pagão, Dirceu Lopes, Dener, Alex, Djalminha e tantos outros.

Acabei de escrever a biografia de um deles. Refiro-me a Toninho, o Toninho Guerreiro, único pentacampeão paulista, um goleador nato que se destacou em todas as competições das quais participou, maior artilheiro do Brasil quando foi cortado da Seleção pouco antes do embarque para a Copa do México, em 1970, sob a alegação de que sofria de uma sinusite que, na verdade, nunca o atrapalhou.

Mesmo em uma era dominada por Pelé, Toninho foi artilheiro do Campeonato Paulista três vezes (1966, 1970 e 1972), outras duas do Brasileiro (1966 e 1968), da Taça Libertadores (1972) e da Recopa Mundial (1968), além de outros torneios. Pela Seleção, só jogou duas vezes e marcou quatro gols, média de dois por partida.

Há quem diga que, tão oportunista e mais técnico do que Vavá, centroavante do Brasil nas Copas da Suécia e Chile, Toninho faria a festa no México, ao lado de Pelé, seu parceiro no Santos. Ser cortado daquela Copa provocou-lhe uma mágoa insuperável.

Sua vida e carreira, desde o Noroeste, de sua Bauru natal, passando por Santos, São Paulo, Flamengo, Operário e Comercial de Mato Grosso, estão no livro “O céu e o inferno de Toninho Guerreiro”, a ser lançado dia 30 de junho, terça-feira que vem, a partir das 19 horas, no tradicional Bar do Juarez, na Rua Joaquim Nabuco, 325, Brooklin, São Paulo.

Você é meu convidado. Venha tomar um chope e conhecer a história de um dos maiores artilheiros do futebol. Por meio desse tributo a Toninho também estaremos homenageando todos os craques brasileiros que não tiveram a suprema felicidade de jogar uma Copa do Mundo.

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