Presidente propõe empréstimo com fundo internacional para pagar todas as dívidas do clube

Presidente propõe empréstimo com fundo internacional para pagar todas as dívidas do clube

Do UOL, em Belo Horizonte

O Cruzeiro vai iniciar a semana com uma reunião importante para definir o rumo financeiro da instituição. Convocado pelo conselho deliberativo, o encontro será realizado nesta noite desta segunda-feira (11) na sede do Barro Preto. Em pauta, a diretoria tentará explicar e convencer seus conselheiros a aprovarem o planejamento para sanar as dívidas do clube, que já ultrapassam os R$ 400 milhões.

Nas últimas semanas, conselheiros já foram contatados para começaram a se inteirar dos assuntos a serem tratados na reunião extraordinária. A ideia da atual diretoria é fazer um empréstimo de R$300 milhões com um fundo estrangeiro de investimentos. Segundo o presidente Wagner Pires de Sá, os juros aplicados pelas instituições de fora são menores que aqueles cobrados pelos bancos nacionais. Desta forma, o Cruzeiro utilizaria a verba para negociar todas suas dívidas já existentes, como as ações na Fifa, por exemplo, que geram as maiores preocupações dos dirigentes. Feito isso, a agremiação deixaria de dever vários credores para ter toda a dívida concentrada em uma única parte.

"Estamos aproveitando o que nós chamamos de efeito Bolsonaro, o mercado internacional está olhando o Brasil com outros olhos, dinheiro que corre no mundo, os investidores, investimentos, aqueles que querem financiar alguma coisa e correm atrás de rendimento, olham o Brasil com outros olhos. Eles estão vendo daqui para frente que há possibilidade de ter garantias legais, de que o país vai cumprir com seus deveres. Então, nós vamos aproveitar essa janela que está se abrindo, e tentar conseguir junto a esses organismos internacionais um financiamento em que possamos substituir os diversos credores que hoje nós temos, e que são dívidas complicadas", disse Wagner Pires, em entrevista à Rádio Itatiaia.

Ponto polêmico

Outro ponto que gerou bastante discussão nas últimas semanas foi a possibilidade de colocar patrimônios do clube como garantia em caso de atrasos no pagamento dos empréstimos. O tema repercutiu entre os membros da oposição, e até o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares se manifestou. Ainda segundo o atual mandatário, isso não será feito.

"Houve mal-entendido, porque me parece que no edital de convocação (da assembleia) falou-se em dar em garantias bens econômicos do Cruzeiro, mas isso era para acertar uma medida legal de imóveis que foram dados em garantia ao Governo Federal nas gestões anteriores. Me parece que o imóvel da sede principal foi dado em garantia à dívidas com o Governo Federal de outras presidências há mais de 10 anos, mas já pegamos esse imóvel garantido. Isso era para dar satisfação legal ao Conselho, conscientizar que já existe esse problema".

Desde que a atual gestão assumiu o Cruzeiro, Wagner Pires e Itair Machado, vice-presidente de futebol, alertaram sobre a situação financeira delicada do clube. Porém, a auditoria que a cúpula prometeu realizar em seu primeiro ano nunca chegou a ser publicada pela entidade. No último balanço, em abril de 2018, as dívidas já superavam a casa de R$430 milhões. Recentemente, outras declarações da diretoria deram indícios da gravidade da situação. Após vencer a milionária Copa do Brasil, o clube alegou que a premiação de mais de R$50 milhões seria suficiente apenas para encerrar o ano em dia com os jogadores e premiações. Já no início deste ano, o clube se comprometeu a usar parte da venda de Arrascaeta para pagar dívidas mais urgentes, incluindo aí a compra do próprio jogador em 2015, que não havia sido totalmente paga.

Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

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