Presidente Wagner Pires de Sá vai falar sobre a situação financeira do Cruzeiro. Foto: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro/Via UOL

Presidente Wagner Pires de Sá vai falar sobre a situação financeira do Cruzeiro. Foto: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro/Via UOL

A diretoria do Cruzeiro convocou o Conselho Deliberativo para reunião extraordinária em 11 de fevereiro de 2019. Entre as pautas, está possibilidade da aprovação de operações financeiras e bancárias com concessão de garantia real de patrimônio associativo para obtenção de empréstimos. O tema repercutiu entre membros da oposição, e até o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares se manifestou.

Mandatário do clube entre 2011 e 2017, Gilvan diz que a ideia de usar patrimônio como garantia de empréstimos bancários fere o Estatuto do Cruzeiro.

"Eu tenho estatuto do Cruzeiro gravado no meu celular. Realmente, para se desfazer patrimônio do Cruzeiro, é preciso consultar o conselho. A Toca I, Toca II, sede do Barro Preto e os clubes do Barro Preto e Pampulha não podem ser vendidas. Eles precisam da aprovação de nove décimos dos conselheiros", disse, ao UOL Esporte.

"A diretoria tem feito reuniões com grupos pequenos de conselheiros para autorizar a diretoria a hipotecar estes imóveis. Estou sentindo que os conselheiros não vão concordar com isso de forma nenhuma. O que eles estão visando é dar como garantia o parque esportivo do Barro Preto. Todo cruzeirense que se preze jamais vai aceitar isso", acrescentou.

Tão pronto recebeu a convocação da atual diretoria, Gilvan de Pinho Tavares acionou o celular e conferiu as leis que regem a administração do clube. O dirigente escreveu um comunicado a amigos conselheiros que o procuraram.

"Nos termos do disposto no Art. 20, item VI, do Estatuto do Cruzeiro, compete ao Conselho Deliberativo "autorizar a alienação de bem imóvel do Cruzeiro Esporte Clube, excluídas as unidades que compõem o Parque Esportivo do Barro Preto, o Centro Administrativo, as Sedes Campestres, a Toca da Raposa I e II, imóveis somente alienáveis em situação altamente vantajosa para o Cruzeiro Esporte Clube, mediante proposta aprovada por 9/10 (nove décimos) dos Conselheiros". Portanto, o Estatuto veda dar em garantia real (hipoteca), o que significa possibilidade do Clube perder um dos imóveis mencionados no inciso VI do artigo 20 se não conseguir quitar o valor dos empréstimos obtidos", escreveu o ex-dirigente.

Hoje, portanto, o Cruzeiro necessitaria da aprovação de 450 dos 500 conselheiros que possui para usar um de seus patrimônios como garantia para empréstimo. O UOL Esporte tentou contato com Zezé Perrella, presidente do conselho, e Wagner Pires de Sá, presidente do clube, após a acusação de que a hipoteca feriria o estatuto do clube, mas não obteve resposta.

Situação financeira preocupante

Na convocação feita por Zezé Perrella, presidente do Conselho Deliberativo, fala-se também sobre a apresentação do planejamento financeiro do Cruzeiro, outro ponto que gera preocupação nos bastidores do clube.

O Conselho Fiscal recebeu apenas os balancetes de janeiro e fevereiro de 2018, conforme apurado pelo UOL Esporte, e não tem ideia de qual é a situação dos cofres da Raposa. Há pressão para que a diretoria envie os documentos comprovando os números rapidamente.

O advogado Sérgio Santos Rodrigues, candidato a presidente na última eleição, ocorrida em outubro de 2017, já fez cobranças à diretoria. O jurista enviou uma cobrança ao mandatário Wagner Pires de Sá a fim de entender a situação das finanças, mas não foi respondido.

Procurado pelo UOL Esporte, ele também se manifestou. "Qual é o planejamento financeiro? Não sabemos o valor do empréstimo, nem qual o bem vai ser dado em garantia. Soltei nota para conselheiros para fazer um apelo aos colegas para ver o ativo do clube, porque vou estar em um curso no exterior. Porque depois contrata um monte de gente e compromete o patrimônio. Se é para pagar dívidas, temos que cortar na carne nas despesas", declarou o conselheiro, que pediu aos colegas do clube para votarem contra a ideia de hipotecar os patrimônios.

Desde que assumiu a vice-presidência de futebol do clube, em janeiro de 2018, Itair Machado se queixa da dívida herdada pela atual gestão. O dirigente chegou a falar sobre uma auditoria nas contas da administração de Gilvan de Pinho Tavares. Porém, jamais publicou a investigação.

No último balanço divulgado, em abril do ano passado, o Cruzeiro apresentou dívida real de R$ 229,6 milhões, além de outros R$ 158,9 milhões no Profut, o que totalizava cerca de R$ 433 milhões.

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