Em oito anos, o camisa 10 gerou mais dores de cabeça ou soluções defendendo o Brasil?

Em oito anos, o camisa 10 gerou mais dores de cabeça ou soluções defendendo o Brasil?

Dia 02 de maio de 2010, Pacaembu, final do Campeonato Paulista, Santos x Santo André. Por volta das 18h, enquanto santistas festejavam a conquista do estadual - que coroava uma campanha incrível de uma geração que viria a ser uma das mais vencedoras da história do clube pós-Pelé – o Brasil olhava para o camisa 11 alvinegro e pedia a convocação daquele menino, então com 18 anos, para a Copa do Mundo da África do Sul.

Nove anos se passaram, o menino virou homem - de forma até tardia, convenhamos -, a camisa 11 virou a 10, o clube era o Santos e hoje é o Paris Saint-Germain e o atleta que até então era sinônimo de esperança hoje é um problema para a seleção brasileira.

Neymar está no olho do furacão. Dessa vez, mais do que em qualquer outro episódio, o camisa 10 brasileiro se vê em maus lençóis. A acusação de estupro envolvendo Neymar é o episódio mais grave da carreira - talvez da vida – do jogador. O que se espera é que a justiça seja feita, que a verdade seja exposta e que tudo fique esclarecido, óbvio. Mas o conteúdo desse texto não trata exatamente desse fato em si.

Nos seus dez anos de carreira profissional, Neymar já está há oito defendendo a seleção brasileira. Nesse período, o rapaz arrumou mais problemas do que soluções – ou títulos – para o selecionado canarinho.

Quando olhamos os números não há muito o que questionar: são 60 gols (até o momento da publicação deste texto) com a camisa verde e amarela – Neymar é o quarto maior artilheira da história da seleção, atrás apenas de Pelé, Ronaldo e Zico. Em termos de títulos, o atacante não tem muito o que festejar: apenas uma Copa das Confederações com a equipe principal e uma medalha de ouro nas Olimpíadas com a equipe sub-23.

Se olharmos para os problemas, aí o cenário se modifica. A Copa América de 2015 foi a primeira grande dor de cabeça que o atacante gerou para seleção: Neymar se envolveu em confusões diante dos colombianos, agrediu um rival, xingou o árbitro, foi expulso e suspenso por quatro jogos. O episódio por si só já foi lamentável, prejudicou a equipe que acabou eliminada, mas não acabou por aí: após a punição, enquanto o time, então comandado por Dunga, brigava pela classificação, o atacante fazia uma festa com seus amigos em demonstração de total desinteresse pela seleção que tanto precisava de seu futebol.

Mesmo no momento de conquista, o “menino Ney” conseguiu gerar problemas: enquanto festejava a conquista da inédita medalha de ouro nas Olimpíadas de 2016, no Maracanã, o camisa 10 entrou num bate-boca e xingou um torcedor brasileiro(!!!) que o criticou e precisou ser contido por seguranças para que o episódio não terminasse em agressões – não precisamos nem falar qual foi o assunto no noticiário esportivo no dia seguinte, né?

Veio então a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e mais uma vez o atacante chamou pra si todos os holofotes e nem foi pelo talento. Mais do que a qualidade do futebol brasileiro, o mundo debateu as simulações do camisa 10 que se prestou ao papel ridículo de se jogar e rolar feito uma criança a cada contato com os adversário. Não bastasse tal situação, o jogador ainda chamou atenção pelo comportamento diante dos adversários e da arbitragem: sempre irritado, com xingamentos a qualquer que ousasse discordar ou jogar duro, o brasileiro ganhou a antipatia do planeta.

Já em 2019 veio o episódio da agressão ao torcedor francês que o provocou após derrota do PSG na final da Copa da França. Neymar xingou e deu um soco no espectador, virou as costas e saiu andando.  O ocorrido em seu clube virou dor de cabeça na seleção, claro, e levou ao técnico Tite questionamento sobre a instabilidade emocional e a capacidade (ou falta dela) do atacante para ser o capitão do escrete canarinho. Visivelmente incomodado, sem jeito e encurralado, Tite, absurdamente cheio de dedos, decidiu retirar a braçadeira do camisa 10.

Todos esses episódios são complementados por situações menores, como os inúmeros momentos em que Neymar foi absurdamente criticado por segurar demais a bola, monopolizando – e atrapalhando – a evolução do jogo da seleção. Ou como na Copa da Rússia, em que o jogador gerou desconforto ao hospedar amigos e familiares no mesmo hotel da seleção gerando muitos desconfortos.

Em diferentes proporções, Neymar tem gerado problema em cima de problema para a seleção brasileira. É obvio que ninguém mais questiona os predicados técnicos do atacante. A grande questão é que em quase uma década defendendo a camisa verde e amarela Neymar tem sido muito mais problema do que solução dentro da equipe do técnico Tite. O momento atual é delicado. O suposto estupro, em tese, é um problema pessoal do atleta, mas inevitavelmente se transformou em problema da seleção. Polícia entrando e saindo da Granja Comary, jogador intimado a depor, clima de incertezas, foco dos companheiros voltado para o atacante que precisa prestar esclarecimento na justiça. Neymar era a personificação da esperança no futebol brasileiro, hoje, porém, vai precisar de muito mais do que um título de Copa América ou alguns belos gols para deixar de ser um garoto problema.

 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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