De repente todo mundo é doutor em política e entende o que, individualmente e, coletivamente, os eleitores quiseram dizer com seus votos

De repente todo mundo é doutor em política e entende o que, individualmente e, coletivamente, os eleitores quiseram dizer com seus votos

Cada vez há mais palpiteiros e torcedores militantes opinando sobre o resultado das eleições, contra quem simplesmente se atenta aos fatos e números.

Como a então chamada "grande imprensa" assumiu uma postura viciada de ideologia para informar e comentar os fatos, o resultado para a população é também cada vez mais participar das redes socias contra o risco de ser infectada pelas narrativas falsas ou distorcidas dessa imprensa hoje apequenada.

Foi um sufoco suportar os “analistas” no domingo, defrontando com os resultados das urnas, da mesma forma que os colunistas de jornais não ficaram constrangidos em pôr os números na ótica de sua enviesada visão partidária, criando interpretações que, num mundo normal, seriam malucas.

Exemplo: uma colunista do Estadão, de menor expressão na atualidade, pela forma como assimilou em seu texto o caráter de oposição sem justificativa ao governo Bolsonaro, afirma taxativamente que as urnas formaram uma frente ampla de adversários para derrotar o atual presidente em 2022. Interessante a visão pessoal da colunista, uma vez que a manchete principal de seu veículo e os editoriais, falaram em vitória do chamado centrão, sem nenhum tipo de polarização entre Bolsonaro e os lulopetistas a caminho da extinção.

As coberturas da mídia de massa deveriam se limitar a fornecer os dados, sem comentários, nem dos apresentadores que torcem sem disfarçar e menos ainda convidados, analistas, entrevistados, políticos, que falam além do óbvio, verdades deles próprios, como se fossem os tradutores juramentados dos resultados de cada urna.

Forma-se um mosaico desinformativo, irritante e que ajuda a queda da audiência que os veículos de mídia atual sofrem de forma acelerada. A informação deixou de ser privilégio dos grupos a que pertenciam.

De repente todo mundo é doutor em política e entende o que, individualmente e, coletivamente, os eleitores quiseram dizer com seus votos. Sai cada abobrinha que se fosse vivo, Stanislaw Ponte Preta teria matéria para mais uns mil festivais de asneiras que assolam o país.

A população em geral, liberta das amarras da subserviência aos jornais e mídia em geral, dantanho, aprendeu a, além de expressar sua opinião, forma-la no debate livre das redes sociais onde, não são manipuladas escancaradamente como eram, e aprendem a discernir entre os falastrões e os que de fato têm algo a dizer. Sejam candidatos, sejam “comentaristas”.

O jornalismo de hoje, nas redes de TV nem se fala, têm o peso de uma pluma. Apresentadores “jornalistas”, teóricos de academia e absolutamente sem lastro de coberturas e embates do verdadeiro jornalismo, despejam besteiras com ares de doutores na matéria, Cada um é um PHD na avaliação das performances, dos vencedores e dos derrotados.

Que fase medíocre. Que ausência de nomes de peso num jornalismo de verdade.

Não é saudosismo. É constatação. E não vou citar nomes para que uma eventual comparação não deslustre a carreira de personalidades da imprensa de antes, diante dos eternos de hoje, mais candidatos a galãs ou artistas do que a jornalistas de verdade.

Vai ter coleguinha estrebuchando, mas a realidade é palpável.

O resultado das urnas neste pleito de 2020 foi um. A “imprensa” viu outro.

Em São Paulo, a vitória de Covas representa apenas o desejo da maioria do povo de São Paulo de derrotar Boulos. Não é vitória de mais ninguém, nem derrota de mais ninguém. O mesmo em Porto Alegre com a derrota também da falsidade.

De resto vou precisar, depois de 40 anos de jornalismo, reaprender a entender como a profissão virou instrumento de aparelhamento ideológico em detrimento da verdade.

A liberdade de expressão virou valhacouto de acobertamento de posições partidárias conflitantes, onde “jornalistas” utilizam da força restante de seus meios de comunicação, para panfletagem e difusão de narrativas falseadoras da realidade, mas a serviço de seus desejos pessoais.

Na década de 70 para 80, quando como repórter da Folha e da Jovem Pan (e também depois na TV Tupi e Rede Capital) eu cobria a Assembleia Legislativa de São Paulo, um dos meus gurus inspiradores do bom jornalismo, Ricardo Sergio Mendes, setorista do Estadão, me dizia quando eu comentava a qualidade dos parlamentares: não se preocupe. A próxima Legislatura será bem pior”. Acertou em cheio e no jornalismo também.

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