Um ano tenso e intenso no mundo da bola pode nos mostrar os melhores (e piores) caminhos para cuidar da vida profissional. Foto: Reprodução/Instagram

Um ano tenso e intenso no mundo da bola pode nos mostrar os melhores (e piores) caminhos para cuidar da vida profissional. Foto: Reprodução/Instagram

“Tá tisti? Fica tisti não”. (sic). Quem não viu este vídeo de Thiago Neves e sua turma cruzeirense não frequentou as redes sociais. Se você é um destes libertos deste vício, contextualizo. Foi gravado em 2018, quando o clube mineiro faturou a Copa do Brasil e tinha endereço: a sede do Atlético Mineiro, maior rival. A resposta chegou com mesmo script um ano depois, pelo goleiro Vitor, mas com força mais dolorosa, já que se referia ao rebaixamento inédito do “Cabuloso” no Campeonato Brasileiro.

Estes memes e outros fatos desta temporada mostram muitos bons e maus exemplos de condutas de gestores e profissionais e que são verdadeiras aulas para nós. O futebol imita a vida, clichê real quando olhamos o noticiário da bola com o olhar do comportamento. Por isso, resolvi pinçar nesta coluna alguns episódios marcantes, desfechos e tendências para 2020, compartilhando com vocês o que eu pretendo usar na minha vida nos próximos 12 meses.

1) A zona de conforto é o caminho mais rápido para a queda.

Os títulos seguidos da Copa do Brasil, por incrível que pareça, fez mal ao Cruzeiro. Jogadores renomados - fundamentais a estas conquistas - se perderam em 2019, quando empurrados para fora da sua zona de conforto ao meio da temporada. Não aceitaram a mudança de treinador, contestaram o comando de Rogério Ceni que, sentindo-se inoperante como líder, capitulou. Imersos na fantasia de vencedores, que não lhes servia mais, mergulharam numa espiral de tensão e desequilíbrio que levou (entre outros fatores) o clube à Série B.

2) Dinheiro não compra um bom planejamento

O Palmeiras de Maurício Galiotte começou 2019 como favorito a todos os títulos da temporada. Um patrocínio polpudo, bilheterias milionárias e um bom acordo pelos direitos de TV deram ao clube uma independência financeira pouco vista no futebol brasileiro. No entanto, as instabilidades testaram a força do seu gestor maior e colocaram em xeque os caminhos escolhidos pelo clube. Trocas de técnicos com estilos distintos em curto espaço de tempo e contratações que pouco sentido fizeram ao time minaram o projeto, que terminou sem uma taça neste ano.

3) Reconhecer o próprio limite é sempre a melhor saída

Fábio Carille foi campeão cedo como treinador. No primeiro ano como líder corintiano, levou um Paulista e um Brasileiro, repetindo o feito no estadual em 2019. Dois caminhões de dinheiro o levaram para as arábias, mas breve voltou com a missão de reencaminhar o Timão no trilho das vitórias. Teve sucesso inicialmente, mas parou no novo paradigma do futebol nacional: o jogo ofensivo. O elenco, que ele mesmo elogiou, ficou amarrado a um perfil quadrado de jogo e acabou eliminado da Copa Sul-Americana. Nas entrevistas, o técnico responsabilizou os jogadores (muito jovens), depois as contratações, outras vezes a imprensa. Acabou demitido após tropeço contra o Vasco e com a fama, talvez injusta, de “retranqueiro”.

4) Ideias modernas não ganham títulos, o importante é colocar em prática

Mano Menezes foi campeão com o Cruzeiro e levou a equipe até o meio do ano com um futebol vistoso. Venceu com tranquilidade o estadual e fez uma primeira fase da Copa Libertadores com elogios. Com o turbilhão que se tornou o clube, foi engolido pelo clube e pela direção. Deixou o time em meio ao “mata-mata” da Copa do Brasil para ser contratado pelo Palmeiras pouco tempo depois. Chegou para revolucionar o antes vencedor “estilo vencedor” de Felipão. Nas entrevistas, sua proposta de jogo leve e mais bonito conquistou parte da torcida (outra parcela importante o vaiou desde o anúncio de sua chegada). O time emendou vitórias seguidas, mas sofrendo dentro de campo. O treinador não conseguiu colocar suas ideias em campo e terminou o ano desligado do clube, após retumbantes 4 a 1 contra o Flamengo, em casa.

5) Ousadia também requer paciência e perseverança

Daniel Alves é um dos jogadores mais vitoriosos da história do futebol. No Barcelona, fez parceria com um dos maiores atletas de todos os tempos: Lionel Messi. Jogou no PSG, na Juventus, até que decidiu deixar o glamour europeu para vestir a camisa do São Paulo FC. Foi uma atitude ousada voltar ao Brasil ainda como atleta de Seleção Brasileira e buscando vaga para a Copa do Mundo de 2022. Apresentado como um grande ídolo, para um lotado Morumbi, enfrentou de cara as dificuldades do nosso futebol. Calendário apertado, pouco tempo de treinamentos, troca de treinador, cobrança da torcida, dos influenciadores digitais e da imprensa. Entrevistas fortes causaram certo reboliço e, mesmo com tudo isso, ele segue no clube em 2020, acreditando num futuro melhor com Fernando Diniz no comando do time.

É curioso observar estes comportamentos no futebol. Muitas vezes, preocupados apenas com o ganhou-perdeu de cada rodada, perdemos a riqueza da observação de comportamentos, competências e situações que o esporte cria que se espelham no nosso dia-a-dia. Este será o objetivo desta coluna no próximo ano: trazer este conteúdo a você, leitor.

Esta coluna entra em férias e volta na segunda semana de janeiro. Obrigado ao time deste Terceiro Tempo pelo espaço e pela paciência com este colunista.

Boas festas e um grande 2020!

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