Mais de um mês depois da Copa, com o resto do mundo já olhando para outras histórias, em Cabo Verde a seleção estava ainda em todo lugar: na rua, na praia, na conversa do povo

Mais de um mês depois da Copa, com o resto do mundo já olhando para outras histórias, em Cabo Verde a seleção estava ainda em todo lugar: na rua, na praia, na conversa do povo

Quando cheguei a Praia, no último dia 18 de agosto, a Copa do Mundo tinha acabado havia pouco mais de um mês.

Mas em Cabo Verde, para o povo, não tinha acabado de jeito nenhum.

E para o mundo do futebol, Cabo Verde estava só começando!

Eu queria ver isso de perto, e consegui: fui o primeiro jornalista que estava na Copa a ir até lá conhecer pessoalmente Cabo Verde e o seu fenomenal futebol.

A primeira coisa que reparei não foi uma bandeira, nem um cartaz. Foram as camisas dos Tubarões Azuis, como o povo chama a sua seleção.

Usadas por todo mundo: homens, mulheres, crianças, idosos.

Coisa de louco!

Feitas na China, feitas na Indonésia, falsificadas, tanto faz: em todas as três cores... branco, vinho e claro, a azul.

Vestiam os quem estava trabalhando, os que compravam nos mercados e nas lojas e, claro, na praia.

Um guarda que orientava o trânsito numa esquina estava com a camisa aberta e, por baixo... a camiseta dos Tubarões Azuis.

O futebol entrou na vida do dia a dia, num país de 500 mil habitantes, como uma injeção de orgulho na veia!

Em Gamboa, uma das praias da capital do país, Praia, vi até um jogo na areia entre dois times de garotos: o Juventude contra o Prainha.

Nada de espetáculo para turista. Era futebol, simplesmente. Garotada jogando bola, descalça, sonhando alto.


Mais de um mês depois da Copa, com o resto do mundo já olhando para outras histórias, em Cabo Verde a seleção estava ainda em todo lugar: na rua, na praia, na conversa do povo. Jornais, revistas, TV... só se falava da seleção.

Comendo o PF nacional, a Cachupa, um cozido de vegetais com peixe, ou carne, o papo era colocado em dia, discutindo o futebol nacional. E internacional tambem!

E nas barbearias. Sim, nas barbearias!

Porque agora jovens e adultos, crianças e senhores querem todos o mesmo corte de cabelo dos jogadores da seleção.

É moda, e pronto.

E ai da lanchonete ou restaurante que não tenha televisão pra mostrar os jogos da Europa. D´us o livre o bar ser onde quer que seja, ...que nao tenha cadeiras, mas TV e cerveja gelada, tem que ter!

Talvez essa seja a parte mais interessante de toda a história.

Ela ainda acontece, ainda faz sonhar nessa ilha.

A primeira Copa de Cabo Verde não trouxe só resultados esportivos.

Mostrou como um país pequeno, com a população espalhada entre as ilhas e uma diáspora muito maior do que quem mora lá de verdade, conseguiu montar uma seleção capaz de chegar ao maior palco do futebol.

Pouca gente sabe, mas dos 26 jogadores levados à Copa, 15 nasceram fora de Cabo Verde.

Seis nasceram na Holanda, quatro em Portugal, três na França, um na Irlanda e um nos Estados Unidos.

Por trás disso há uma história de migração em que o futebol serviu de ponte entre as ilhas e as comunidades cabo-verdianas espalhadas pelo mundo.

Em Roterdã, na Holanda, vivem cerca de 23 mil pessoas de origem cabo-verdiana.

Não é um detalhe pequeno.

Ajuda a entender por que uma seleção de um arquipélago do Atlântico pode contar com uma base de jogadores nascidos na Europa, prontos para representar um país a milhares de quilômetros de distância, que muitos nem conhecem!

E eis uma história única, nunca vista no futebol mundial!

Roberto Lopes é um dos exemplos mais curiosos desta Seleção " Frankenstein" como Joildo, um simpático vendedor côcos na praia de Quebra Kanela me contou...." uma seleção costurada, como um monstro, mas um monstro do bem: que joga limpo e joga bem demais!"

Lopes nasceu e cresceu em Dublin, de mãe irlandesa e pai cabo-verdiano.

Mas a história é ainda mais fantástica!

Em 2018, Lopes recebeu pelo LinkedIn uma mensagem do então técnico da seleção, Rui Águas.

Estava escrita em português.

Só que Lopes não entendeu nada....pois não fala portugues!

E achou que a mensagem era spam....golpe, ou lixo eletrônico.

E a ignorou totalmente, por meses.


Respondeu quase um ano depois, com a ajuda de um tradutor online, por pura curiosidade.

Aquela resposta dele abriu para ele o caminho da carreira internacional com Cabo Verde.

Até chegar a defender Cabo Verde na Copa do Mundo da FIFA!

E vamos descobrir o que quase ninguém sabe sobre o fenômeno Cabo Verde, que nos 90 minutos das 4 partidas que jogou não perdeu nenhuma!

Entre elas, os inesquecíveis empates com duas seleções campeãs do mundo: Espanha e Argentina.

Essa seleção, nasce de um trabalho que começou muito antes da Copa.

Em 2002, Lito, ex-jogador e treinador cabo-verdiano, começou a trabalhar na construção de uma seleção mais organizada, partindo de uma realidade ainda muito pequena.

Desde então, o projeto procurou ligar cada vez mais o futebol das ilhas aos jogadores da diáspora.

Rui Águas teve depois um papel importante na construção do projeto técnico e na busca por jogadores no exterior.

Bubista, o treinador que levou a equipe à Copa, recolheu esse trabalho e o levou até a primeira classificação de Cabo Verde para um Mundial.

Então são três nomes, três verdadeiros heróis da ilha: Lito, Rui Águas e Bubista!

Não é, portanto, uma história que nasceu ali, só na Copa nos Estados Unidos, em 2026.

Não!

É o resultado de um caminho que começou mais de 20 anos antes, em que vários técnicos e dirigentes construíram, passo a passo, uma seleção capaz de usar a própria diáspora como recurso.

Rui Águas teve um papel fundamental também na maneira como a seleção foi buscar seus jogadores.

O resultado é um time em que a palavra "diáspora" não é um conceito político ou geográfico.

É uma coisa concreta, dentro do time.

A história do hoje mundialmente famoso goleiro Vozinha conta mais um pedaço dessa ligação.

O goleiro se chama Josimar Dias. O nome vem da Copa de 1986, do jogador Josimar, da seleção brasileira.

O pai, porém, queria chamá-lo de Jorge Valdano, depois de ver os jogos do argentino no México.

Só que naquela época o registro civil cabo-verdiano não aceitava nomes estrangeiros.

Então a família escolheu Josimar, o brasileiro que tinha marcado contra a Irlanda do Norte e a Polônia na Copa de 1986.

Nomes brasileiros, eram aceitos no cartório local...

Quarenta anos depois, o filho daquele homem virou um dos personagens da Copa do Mundo de 2026.

Aos 40 anos, Vozinha manteve o gol zerado, contra adversários do calibre de Espanha e Arábia Saudita. Com dois dos maiores jogadores do mundo em campo: Messi e Yamal!

E foi indicado ao mais importante prêmio de goleiros do mundo, o troféu Yashin.

E, depois do torneio, a vida dele mudou por completo.

Antes da Copa, tinha cerca de 50 mil seguidores no Instagram.

Depois foram crescendo aos poucos, durante e depois da competição, até cerca de 32 milhões, com a ajuda da CazéTV.

Os comentaristas pediam ao vivo para seguir o Vozinha.

E dali, tudo se transformou.

Não é só um número.

Hoje, com seus 32 milhões de seguidores, os direitos de imagem dele pertencem ao mais importante agente de futebol do mundo, Jorge Mendes, o mesmo que ajudou Cristiano Ronaldo a virar o jogador famoso e poderoso que conhecemos hoje.

Nada mal para um goleiro vindo da distante Cabo Verde...

Vozinha contou que era parado o tempo todo na rua, que pediam fotos e autógrafos e que tinha gente que chegava até a porta da casa da mãe dele.

Recebeu contatos de clubes e de empresas, com possibilidades de jogar nos Estados Unidos, em Portugal, no Brasil, no Marrocos, na China e na Arábia Saudita, mas ele escolheu o Colo-Colo, do Chile.

A mudança é impressionante.

Um goleiro de 40 anos, que chegou à Copa depois de jogar até no Chaves, da segunda divisão portuguesa, virou uma personalidade global.

Antes ele já tinha rodado um pouco: AS Tren?ín, da Eslováquia; AEL Limassol, do Chipre; Zimbru Chi?in?u, da Moldávia; Gil Vicente, de Portugal; e clubes de Angola e, claro, de Cabo Verde.

O rosto dele virou produto comercial, e o nome saiu do futebol cabo-verdiano para chegar a um público internacional que antes quase não o conhecia.

Não mais camisas com seu nome nas lojas de Cabo Verde: esgotaram-se.

Na loja do aeroporto, Marília, a gerente, me conta que "foram milhares de camisolas que vendemos!".

Mais de 4.000 camisetas oficiais desapareceram das prateleiras.

E a patrocinadora da Seleção de Cabo Verde, a pequena e desconhecida Capelli, dos EUA, não tem dado conta de produzir em números suficientes.

Nem as "camisolas" oficiais do Vozinha, e nem mesmo a de outros jogadores.

Às vezes, pessoas, vão diretamente ao prédio da Federação de Futebol nacional, para tentar comprar as camisas oficiais dos Tubarões Azuis!

A Copa mudou também a vida profissional de outros jogadores.

Sidny Lopes Cabral, por exemplo, nascido em Roterdã em 2002, fez uma carreira brilhante e velocíssima.

Em 2024 estava no Viktoria Köln, da Alemanha; em 2025 passou para o Estrela da Amadora, de Portugal; e em janeiro de 2026 chegou ao Benfica.

Poucos meses depois da Copa, o Trabzonspor, da Turquia, o comprou por 10 milhões de euros fixos, mais 2 milhões possíveis em bônus.

O Benfica ficou ainda com 20% de uma futura venda.

Esse é o resultado de ter marcado ele, Sidny, o gol escolhido pela FIFA como o mais bonito de todo o Mundial, o segundo de Cabo Verde contra a Argentina.

Dailon Livramento jogou na Itália, no Hellas Verona.

Jovane Cabral seguiu a carreira passando pelo Sporting, de Lisboa, depois pela Lazio, dali para a Salernitana, e de lá para o Olympiacos, da Grécia, e depois assinou com o Estrela da Amadora, de Portugal. Depois da Copa, quem o contratou foi o Grêmio.

Wagner Pina foi para o Trabzonspor, da Turquia, para jogar ao lado da estrela egípcia, Mohamed Salah.

Para alguns jogadores, portanto, a Copa não foi só o ponto mais alto da carreira na seleção: virou também uma vitrine econômica.

O paradoxo é este: nenhum dos 26 jogadores do elenco da Copa jogava como profissional num clube dentro de Cabo Verde.

Sem um único jogador no campeonato nacional.

E é por isso que existe tanta distância entre a seleção e o futebol de casa.

Nos clubes cabo-verdianos, muitos jogadores ainda vivem uma realidade quase amadora ou semiprofissional, com salários que podem ficar em 200 ou 300 euros, no máximo, por mês. São 1500 Reais ao mês em um país onde viver não é barato, pois tudo tem que ser importado.

O campeão nacional pode ter enorme dificuldade até para pagar a participação em competições continentais.

O caso do GD Palmeira, clube de Cabo Verde, é quase surreal.

O clube foi campeão nacional, mas jogar a Liga dos Campeões da CAF significa pagar viagens, hotéis, deslocamentos entre ilhas e despesas de organização.

Despesas que se tornaram pesadas demais para um clube com poucos recursos.

É uma das contradições mais curiosas do novo futebol cabo-verdiano.

A seleção jogou contra equipes poderosas como Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Argentina, com transmissão ao vivo para o mundo inteiro.

Mas o campeão nacional de Cabo Verde, por outro lado, tem dificuldade para pagar uma simples viagem pela África para jogar um torneio oficial.

Até os nomes dos clubes contam a história do futebol do país.

Em várias das 8 entre as 10 ilhas habitadas do arquipélago de Cabo Verde, você encontra times chamados como clubes brasileiros, como Corinthians, Botafogo, Cruzeiro e Figueirense, ao lado de nomes da tradição portuguesa, como Benfica, Sporting e Boavista.

O Brasil e Portugal deixaram uma marca profunda na cultura do futebol cabo-verdiano, muito antes de o país chegar à Copa.

Agora essa relação está ficando também mais organizada.

Em Praia nasceu uma parceria entre a federação cabo-verdiana e o FC Porto, com o projeto "Dragon Force", que aposta na formação de jovens e de treinadores.

Isso não quer dizer que Cabo Verde tenha montado, de um dia para o outro, um sistema profissional completo.

Mas quer dizer que o país está tentando transformar o que viveu com a seleção numa estrutura maior.

Parte do dinheiro que chegou do futebol internacional pode e vai ajudar.

A participação na Copa garantiu a Cabo Verde pelo menos 12,5 milhões de dólares, entre o prêmio de participação e a ajuda para a preparação.

Sem contar ainda, com as quantias ligadas aos resultados da seleção no torneio Mundial. E outras ajudas que a FIFA deve assegurar.

Para um país desse tamanho, o significado desse dinheiro não é só esportivo.

Nos últimos anos foram construídos 21 campos municipais, três centros de alto rendimento e um centro de medicina esportiva.

O programa FIFA Forward também trouxe investimentos importantes: cerca de 5,8 milhões de dólares para o desenvolvimento geral do futebol cabo-verdiano.

É dinheiro que vai virar campos, formação, estruturas e melhores condições para os jovens locais.

Meninos e meninas agora sonham em poder repetir o mesmo espetáculo de futebol, que os Tubarões Azuis apresentaram na Copa do Mundo.

A história do futebol cabo-verdiano, porém, não começa em 2026.

O país se tornou independente de Portugal em 1975.

Em 1976 jogou-se o primeiro campeonato nacional.

E eis que cinquenta anos depois, em 2026, Cabo Verde disputou a sua primeira Copa do Mundo.

Três datas que contam um pedaço da transformação de um país que construiu a sua identidade nacional também por meio do esporte.

No dia 5 de julho, Dia da Independência do país, pode-se ver como o futebol estava ligado àquele sentimento nacional.

A festa pelo país e a alegria que a seleção nacional trouxe, se misturaram, em um grande carnaval por duas noites em Praia: o orgulho nacional nao conhecia tanta felicidade!

As camisas dos Tubarões Azuis faziam parte da cena, por toda parte, claro.

E não eram só camisas de futebol: eram um símbolo de liberdade que gritava para o mundo: "Estamos aqui!"

O futebol feminino também viu abrir-se uma porta nova.

Em 2026, Cabo Verde disputou pela primeira vez a Copa Africana de Nações feminina.

Para as meninas das ilhas, a seleção feminina virou algo que, até pouco tempo atrás, parecia muito distante.

Não é só uma nova equipe internacional.

É outro espaço em que o futebol pode virar um projeto para as gerações mais jovens.

A Copa mudou também o jeito como o país é procurado e contado lá fora.

Graças ao futebol, o país vê sua imagem cada vez mais presente no cenário mundial.

As buscas por Cabo Verde cresceram muito durante o torneio, e o turismo ganhou nova atenção internacional.

Mas há um efeito ainda mais interessante, e menos visível.

Cabo Verde está virando um lugar onde o futebol africano vem falar de si mesmo e de seu futuro.

Pois não é que agora, de 7 a 9 de outubro, na ilha do Sal, Cabo Verde receberá a importante Conferência Estratégica da CAF.

O maior evento técnico e político do futebol africano!

Estarão lá os presidentes das 54 federações associadas à CAF, dirigentes, técnicos das seleções masculinas, femininas e de base, especialistas internacionais e os 10 treinadores que comandaram as seleções africanas na Copa de 2026.

Mas a FIFA também estará lá!

Gianni Infantino, o presidente da FIFA, e o grupo técnico da FIFA, liderado por Arsène Wenger, estarão presentes pela primeira vez em Cabo Verde, mostrando a mudança radical do mundo do futebol em relação ao pequeno país africano.

Que tem um coração parte brasileiro!

Porque não há um cabo-verdiano sequer que não ame, não simpatize e não goste do Brasil e dos brasileiros.

E que bom isso: porque esse arquipélago lindo, está há somente 3 horas de vôo de Recife!

"Quero e vou desenvolver muito mais a cooperação com o futebol brasileiro", me garante o simpático, sério e gentil Presidente da FCF, Federação Cabo-Verdiana de Futebol!

E ele que será o anfitrião no maior evento de futebol da África, em Outubro, diz que, o Congresso da CAF/ FIFA não terá como tema somente comemorar o resultado dos Tubarões Azuis na Copa de 2026.

Porque foram dez, as seleções africanas que disputaram o Mundial.

E nada menos que nove delas, passaram à fase eliminatória!

A conferência vai servir para falar de desenvolvimento, sustentabilidade, formação, estruturas e preparação rumo a 2030.

Enfim: em Cabo Verde se vai decidir o futuro do futebol africano, que sonha em breve chegar a uma final de Copa.

É uma imagem muito diferente da de poucos anos atrás.

Cabo Verde não é mais só o pequeno país africano que se classificou de surpresa.

Depois do Brasil, os africanos são os que mais vendem jogadores para a Europa. Vai-se falar disso também no congresso.

Cabo Verde está virando um dos lugares onde o futebol africano vai desenvolver o seu próprio futuro.

E esse futuro, para Cabo Verde, já tem um objetivo declarado.

Mário Semedo, o genial presidente da federação cabo-verdiana, quer ver o país de novo na fase final da Copa do Mundo em 2030.

Depois de chegar à primeira Copa, a ambição não é mais só chegar: é construir algo que dure, seja sustentável, e mude positivamente a sociedade e a juventude local das Ilhas de Cabo Verde.

Graças à sua visão, coragem e capacidade, Mário Semedo agora também foi eleito presidente da WAFU, a União de Futebol da África Ocidental, a mais importante das 4 federações regionais da África!

Uma realidade toda nova para o futebol cabo-verdiano!

Agora no Brasil, depois de duas semanas em Cabo Verde, andando pelas ruas e vielas de Praia,...voltei a pensar naquela gente orgulhosa, amante de música e louca por futebol.

Porém, não me vieram à cabeça nem um estádio lá nos EUA durante a Copa, com a festa dos torcedores caboverdianos, nem uma conferência internacional, nem o prêmio da FIFA de mais de10 milhões de euros que o país vai receber.

Me voltou à cabeça Gamboa,... aquela praia.

A areia, o oceano aberto, o sol forte e um jogo entre os garotos do Juventude e do Prainha.

E, em volta do campo, o mesmo clima que eu tinha visto nos bairros e mercados da cidade de Praia: gente séria, gente educada, gente amável e orgulhosa.

Camisa dos Tubarões Azuis sendo usadas, diariamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Vi gente com colar e pingente da Federação Nacional de Futebol do país!!!

Alguém imagina algum torcedor brasileiro usando pingente da ...CBF ?

A Copa tinha acabado já a algumas semanas.

Mas naquela praia de Gamboa, o futebol de Cabo Verde continuava sendo sonhado e sendo jogado.

E eu, sorrindo, noite e manhã, por estar num lugar onde ainda existe o futebol de verdade.

Onde há ainda o futebol-raíz: aquele que existe no sangue, no coração, na alma e nos olhos dos meninos e meninas de Cabo Verde.

Cabo Verde... ainda não te entendi.

Cabo Verde... um dia vou entender como, do nada, você fez os espanhóis campeões do mundo sofrerem.

Cabo Verde, como você fez isso? Para fazer o Messi chorar??

Um dia, em breve, eu volto.

E o teu segredo, eu ainda descubro!

 

 

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