Bimbinha morreu no dia 16 de maio de 2020, o ex-futebolista sofria de problemas renais e de diabetes

Bimbinha morreu no dia 16 de maio de 2020, o ex-futebolista sofria de problemas renais e de diabetes

Fui buscar um texto antigo para ser republicado em plena semana do Superclássico Maranhense como um forma de homenagear Bimbinha, um dos maiores nomes do futebol nordestino e que jamais deverá ser esquecido. Infelizmente ele veio a falecer dois meses depois após a primeira publicação dessa crônica, em 2020.

Reginaldo Castro nasceu em São Luís no 10 de junho de 1956 e desde a infância recebeu o apelido “Bimbinha” que o acompanhou por toda a vida. Criado no bairro Tamancão, Bimbinha sempre ia acompanhar os irmãos Reinaldo e Egui nos jogos do Atlântico, clube amador de São Luís do Maranhão. Um dia Egui não pode comparecer a um jogo do Atlântico e o treinador para completar o time colocou um menino que estava de chuteiras e sempre acompanhava os irmãos. Bimbinha se destacou no jogo e passou a ser titular ao lado dos irmãos.

Mas a partida que mudou a vida dele foi contra o time dos Onze Irmãos (clube formado por presidiários). O diretor do presídio José Carlos Viana Mendes, que também era dirigente do MAC (Maranhão Atlético Clube) de imediato fez um boa proposta para levá-lo ao Bode Gregório.

Porém Djalma Campos, jogador do Sampaio Corrêa, também tinha visto Bimbinha arrebentando numa pelada e fez de tudo para convencê-lo a ir jogar no tricolor de São Pantaleão. Bimbinha escolheu o Sampaio, pois tinha Djalma como um grande ídolo, e foi para os juniores.

Em 1977 estreou nos profissionais aos 21 anos. Com um metro e cinquenta e centímetros, cinquenta e um quilos e chuteira número 34. Bimbinha voava em campo e passou a ser o xodó da torcida boliviana.

No campeonato brasileiro daquele ano Bimbinha protagonizou um dos dribles mais marcantes do futebol. No jogo contra o Corinthians ele entrou no segundo tempo substituindo o atacante Xavier. Deu sufoco no adversário, até driblou dois jogadores e tocou a bola por baixo das pernas do lateral direito Zé Maria… Detalhe, ele tocou a bola e também passou por baixo do Super-Zé. Ao concluir o lance a torcida do Sampaio foi ao delírio. O jogo terminou sem gols e nascia ali mais um mito.

Fez parte do trio de ataque mágico ao lado de Fernando Misterioso e Cabecinha que faturou os títulos estaduais de 1978 e 1980.

Bimbinha sentia-se muito bem no Sampaio, apesar dos “contratos fiados” e da diretoria não o valorizar. Em 1983 foi emprestado para o Isabelense do Pará e o Sampaio Corrêa perdeu o estadual para o rival Moto Club. Após um forte clamor da torcida Bimbinha voltou e voou… marcou gols em finais e faturou um pentacampeonato entre 1984 e 1988.

Ao todo fez 250 gols na carreira e sonhava encerrar a carreira no Tubarão após a conquista estadual de 1988. Nesse mesmo ano tentou entrar na política e lançou sua candidatura para vereador, contudo como iria disputar votos com o presidente do clube, Bimbinha foi “convencido” a desistir da campanha. Bimbinha chegou a declarar toda sua insatisfação ao longo dos anos no Sampaio para o Jornal Imparcial;

“Eu esperava pendurar as chuteiras no Sampaio. Depois, ser aproveitado, como treinador de escolinhas, coisas assim. Mas saí sem darem baixa na minha carteira de trabalho, sem receber o Fundo de Garantia por Tempo de Trabalho, dinheiro algum. Não tive a coragem de brigar com o clube. Se tivesse de recorrer contra os dirigentes, tudo bem, seria uma forma de protestar contra a decisão absurda, de me jogarem fora”.

“Esqueceram que o Bimbinha deu muitas alegrias aos tricolores e merecia mais respeito. Nunca fiz bons contratos. Não sei se, por coincidência, sempre que deveria renová-los o clube estava em crise. Eu acreditava nos dirigentes, assinava fiado, para receber amanhã, e o tal amanhã nunca chegava”.

Em 1989 surpreendeu toda a imprensa do Maranhão ao assinar com o rival do Sampaio, o Moto Club. Foi campeão maranhense, título que o rubro-negro não conquistava desde 84. Não se adaptou bem no Moto Club, ficou na reserva para Lamartine e teve vários atritos com alguns diretores que o julgavam como espião do tricolor. O clima foi ficando pesado demais e Bimbinha abandonou um treino do Moto e foi direto para a sala do presidente pedir sua rescisão. Bimbinha ainda jogou pelo Expressinho e pelo Tupan, até encerrar a carreira em 1992.

Bimbinha morreu no dia 16 de maio de 2020, o ex-futebolista sofria de problemas renais e de diabetes. O corpo do ex-atleta foi sepultado no Cemitério do Turu.

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