Platitudes são ditas de modo tão exaustivo, que nosso discernimento se torna refém da canalhice implícita contida nas mesmas, a maioria não percebe o tom pernicioso de muitas de suas premissas.

Platitudes são ditas de modo tão exaustivo, que nosso discernimento se torna refém da canalhice implícita contida nas mesmas, a maioria não percebe o tom pernicioso de muitas de suas premissas.

Platitudes são ditas de modo tão exaustivo, que nosso discernimento se torna refém da canalhice implícita contida nas mesmas, a maioria não percebe o tom pernicioso de muitas de suas premissas. Em muitos (não todos) momentos a "sabedoria popular? é como uma criança: cruel, intolerante, espezinha com um sorriso farto o que já está abatido, mas mesmo assim não perde a áurea de bibelô não corrompido pela "maliciosa sociedade de homens barbados?. Como Rousseau é atual, infelizmente. 
Desconstruindo algumas falácias. O amor erótico não muda os calhordas (pobres das mulheres esperançosas que seus varões apaixonados pelos seus pares de coxas, com um currículo misógino, se regenerarão como Agostinho de Hipona. Mal sabem elas que assim como Paulo Francis disse, o desejo de seus amados é, ao acordar e enxergar a mulher ao seu lado, uma catapulta que as lance bem longe); a caridade não enobrece o ímpio (não existe quem não seja), somente ameniza a culpa nutrida pelo caridoso; a justa pena do culpado não refrigera a alma da vítima; a justiça tarda e falha (geralmente não tarda porque quase sempre inexiste); a derrota não traz lição alguma (só nos abate e humilha); pensamentos verbalizados não têm poder de atrair nada, nem coisas boas, nem ruins, se perdem no vento para nunca mais voltar a boca que lhe deu vida, superstição de quinta categoria; o tempo não nos deixa mais sábios (só nos envelhece, atrofia os músculos, causa impotência sexual e revela o absurdo que é o ponto culminante da ordem natural das coisas); a abstinência não purifica o padre (não existe cinto de castidade para o cérebro); ninguém tem uma vida colérica motivado pelo mantra infanto-juvenil "carpe diem? - viva hoje como se fosse o último dia - coisa de adolescente que não assume sua fixação fálica, todas as pessoas vivem mais pelo sopro gelado e irracional que vem do intestino, do que por grandes elucubrações, não precisamos de motivação filosófica ou habilidade hermenêutica para sermos imbecis, somos assim naturalmente; não existe crítica construtiva, em uma discussão você deseja humilhar, cuspir, exigir do oponente o pedido por clemência ou matá-lo (um dos raros momentos em que concordo com Karl Marx, no seu texto Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel, ele diz: "o objeto da crítica é o adversário, que não procura refutar, mas destruir?); duas ou mais cabeças não pensam melhor do que uma, aliás, tende a corromper e imbecilizar o mais virtuoso da corja.
O futebol também é um terreno fértil em lugares-comuns e verdades de acaso. "Teses? que perambulam de geração em geração, atentando contra a essência mutável do jogo. Quem nunca ouviu mesmices do tipo: "aquele time tem dificuldade, pois centraliza muito o jogo, precisa jogar mais pelos flancos?; a Seleção Espanhola como antítese demonstra que acima das fórmulas estão os homens, a formação campeã da última Eurocopa contava com Busquets, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, Fábregas e David Silva, quando optou por um atacante de ofício, atuava com Fernando Torres ou Pedro; Alba avançava com mais freqüência e qualidade pela esquerda, mas Arbeloa só ocupava espaço, lateral super burocrático. Ou seja, um time que tendia e continua tendendo a centralizar o jogo, e deve fazer isso enquanto possuir tamanha variedade de meio-campistas amigos da bola (querem-na sempre por perto), pois tem nesse estilo seu ponto forte, seu diferencial; se jogasse com dois laterais apoiadores ou dois pontos clássicos mais um centroavante "a la Negredo ou Llorente?, perderia o toque de bola curto ou restringiria dois volantes de ótimo passe à cobrir suas brechas. Outro chavão, "o jogo de Libertadores é diferente, tarefa para guerreiros?, ridículo, segundo esse ditado que Fernão Cortez e Simon Bolívar assinariam em baixo, embrutecido por um crescente complexo de pit bull, a lógica anuncia que os baixinhos do Barcelona, apreciadores de Gaudí, não resistiriam à truculência desconcertante do Tigre ou Arsenal de Sarandi, não são "machos? o bastante. "O campeonato brasileiro é o melhor do mundo?, ora, confundem equilíbrio com qualidade, é óbvio que em um campeonato onde 5 ou 6 times são de um nível parelho, haverá maior alternância de campeões e maior rotatividade na tabela, porém isso não significa que nossos times postulantes ao Caneco são melhores do que sequer os medianos da Europa. Alguém tem duvida que caso elencos como o do Valencia, Málaga, Napoli, Atlético de Madrid, Schalke 04 e Tottenham, jogassem nosso campeonato nacional, disputariam no mínimo vaga para a Libertadores!? E se jogasse em iguais condições, os gigantes Real Madrid, Bayern, Barcelona, os dois clubes de Manchester, venceriam o campeonato brasileiro com igual ou mais folga do que vencem em seus respectivos países!? O resto é puro pachequismo barato ou nostalgia senil.
Somente para não passar em branco, cito três pensamentos que não caem em ostracismo, mesmo sendo desmentidos com virulência pela realidade:
- "O jogador brasileiro é dotado de habilidade e técnica, já o europeu se destaca pela inteligência tática?. O teutônico Ralf e o manauara Pirlo devem comprovar essa tese.
- "O futebol alemão se baseia na força física e no pragmatismo eficiente de seu modo de jogar?. A seleção que joga o futebol mais agradável de se ver, leve e dinâmico, mistura habilidade, velocidade e técnica. Como ressaltou Tostão, Bayern, Borussia e a seleção alemã, conseguem mesclar o estilo barcelonista do toque de bola, com a velocidade insana e letal do Real Madrid. Hummels, Khedira, Schweinsteiger, Götze, Muller e Reus formam os pilares de uma seleção que merece há tempos um título de Euro ou Mundial.
- "Os times argentinos têm mais triunfos nas competições continentais, pois são copeiros, sabem catimbar e provocar o jogador brasileiro?. Suponho que nem o próprio Galvão Bueno acredite em seu próprio discurso. Os times argentinos vencem pois fazem parte de uma escola tão brilhante como a brasileira, com o agravante de possuírem uma população incomparavelmente menor. Para citar só os dois últimos times argentinos campeões da Libertadores, um contava com Riquelme (Boca Juniors), o outro com Veron (Estudiantes), nenhum de seus adversários brasileiros possuiam à época jogadores de qualidade similar. Infelizmente o futebol argentino atual, não a seleção, está em profunda crise, basta ver o nível sofrível de seus representantes na atual Libertadores. Ninguem passa impune à décadas sob a batuta do casal Kirschner e Grondona.
Enfim, enquanto esses brados histéricos que empobrecem a sociedade e o futebol, não são constrangidos pela voz embargada do polônes no porão, a qual fanfarrões psicoterapeutas e neologistas de jaleco denominam de "consciência?, emudeço eu. Não sei se, felizmente ou infelizmente, o fato é que perdi o encanto pelas discussões, mesmo quando vencidas (raríssimas foram as vezes) por mim. Prefiro ouvir pelas paredes a catarse coletiva, e assisitir pela mansarda os espectros corpóreos ("sutis como uma tarântula numa fatia de pudim?, Raymond Chandler) que ainda saem às ruas balançando suas bandeiras, independente se com a estrela maculada do PT, tucanos sem asas e sem bico (morrendo de inanição), foices e martelos, caras-pintadas, arco-íris purpurinados festejando os estereótipos, héteros bigodudos temerosos de Darth Vader e da fantasiosa "ameaça gay?, fanáticos por zumbis ou a juventude cristã. Confesso que não os entendo, mas invejo todos (sem exceção). Como deve ser reconfortante eleger uma causa moral e ideológica, seja lá qual for, que gere motivação e sentido à miserável e ordinária existência. Pena que nenhuma me convence a abandonar minha  mansarda, ela não tem causa e nem efeito, esta lá, despretensiosa, um fim em-si, só tem a me oferecer o panorama do horizonte acinzentado e o horror trans-histórico da civilização.
A morte me pesa como realidade atroz, me limita e tira o encanto por toda demanda a ser comida debaixo da terra. "O objetivo de toda a vida é a morte, e remontando ao passado: O inanimado já existe antes do vivo? (2006c, Além do princípio de prazer). Me desculpe caro Sigmund, minha obsessão mortuária me causa arrepios ao ler tal frase. O pé que toca a bola com afeição, e o perfume da mulher misturado ao suor de sua nuca ao transar apaixonada, são mistérios tão fascinantes..... não merecem, nem podem morrer. 
 
Imagem: @CowboySL

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