Estava decidido a escrever este artigo enaltecendo a dupla brasileira Orlando Luz e Rafael Matos, amigos desde a infância, no Rio Grande do Sul, que acabam de vencer em Montreal e Cincinatti, em um feito histórico para o tênis brasileiro. A persistência, a harmonia e o bom relacionamento entre ambos explica o sucesso dessa parceria.
Orlandinho, 28 anos, chegou a número um do ranking juvenil em 2015, mas no profissional não conseguiu o êxito esperado. Com bom saque e poderosos golpes de fundo de quadra, a ele só faltou um pouco mais de consistência e mobilidade.
Rafa Matos, 30 anos, é o estrategista, o que anula a pancada do adversário com lobes muito bem colocados e surpreende com paralelas rasantes. Especialista em duplas, em 2023 ele e Luisa Stefani venceram as duplas mistas no Australian Open, na única competição de Grand Slam conquistada por uma parelha cem por cento brasileira.
Escrever sobre vitórias, sorrisos e abraços é sempre melhor, mas quem me conhece sabe que o futebol faz parte dos meus sonhos – e pesadelos –, o que me obriga a dar uma palavra sobre esse confronto em que o meu querido Santos tomou um chocolate do Palmeiras.
Um título que poderia definir a situação atual dos dois times seria “Hoje há um abismo entre Santos e Palmeiras”, ou algo assim. Apenas há 80 anos, lá na década de 1940, houve uma diferença tão grande não só de time, mas de expectativas, entre esses rivais do futebol.
Nem mesmo nos tempos do mágico Santos de Pelé o Palmeiras já entrava em campo derrotado. Lembremos que de 1958 a 1969 o Santos venceu todos os campeonatos paulistas, com exceção de três – 1959, 1963 e 1966 –, todos eles conquistados pelo Alviverde.
Há pitaqueiro que chegou a dizer que depois desses 3 a 0 em São Paulo, o jogo em Santos poderia ser cancelado. Bem, aí já é um exagero. Muitos torcedores do Fluminense também achavam que após os 4 a 1 no Maracanã, jogar no Pacaembu pela semifinal do Brasil de 1995 seria mera formalidade. Como se sabe, não foi bem assim.
A verdade, porém, qualquer que seja o resultado da próxima quarta-feira, é que o Palmeiras está melhor do que o Santos em todos os sentidos – a começar por sua administração e pelo equilíbrio de sua situação financeira. Enquanto o clube da cidade mais rica do País fatura milhões a cada semana com seu estádio amplo e moderno, o Santos – que desprezou a oportunidade de ser sócio do Pacaembu – faz um puxadinho para amontoar mais pessoas no mesmo espaço de sempre.
De qualquer forma, como o essencial é fazer amigos por meio do esporte, convido santistas, palmeirenses, são-paulinos, corintianos e todos os interessados para o bate-papo com sessão de autógrafos do livro “O céu e o inferno de Toninho Guerreiro”, a partir das 19 horas do dia 2 de setembro, quarta-feira que vem, na livraria Footnoir – rua Artur de Azevedo, 1905, bairro de Pinheiros. Até o Mauro Beting prometeu que vai.