Presidente do Atlético Paranaense sonha com a formação de uma liga de clubes. Foto: Reprodução

Presidente do Atlético Paranaense sonha com a formação de uma liga de clubes. Foto: Reprodução

Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, deve ser a principal liderança do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para futebol na gestão que começa em janeiro de 2019. O UOL Esporte apurou que essa liderança não envolverá cargos em ministérios ou secretarias, mas uma composição de forças para aumentar a influência do governo no esporte mais popular do país.

Petraglia esteve com Flávio Bolsonaro, filho de Jair, antes da campanha presidencial. Os dois foram reunidos pelo empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, um dos grandes articuladores da campanha do presidente eleito – que também é patrocinador do Atlético-PR. A aproximação tem origem no desejo de Bolsonaro ter influência sobre a CBF. Petraglia tem o perfil desejado para uma nova política para o futebol, aproveitando que a Bancada da Bola, que dava suporte político à CBF, foi enfraquecida pelas urnas com as saídas de Romero Jucá (MDB), do Senado, e Jovair Arantes (PTB), da Câmara, entre outros.

O dirigente atleticano vê em Bolsonaro meios para viabilizar, com apoio governamental, uma liga de clubes, sonho antigo do dirigente. Petraglia já articulou projetos como a Primeira Liga, participou da montagem da extinta Copa Sul-Minas e, em âmbito local, tentou criar uma liga paralela à Federação Paranaense de Futebol - a Futpar era uma associação de clubes do Paraná que pretendia organizar campeonatos.

A postura de oposição à CBF também ajuda. Petraglia é desafeto do presidente da Federação Paranaense de Futebol, Helio Cury, e também marcou oposição à Rogério Caboclo na eleição da CBF. Nesse episódio, esteve ao lado de Andrés Sanchez, do Corinthians, e de Eduardo Bandeira de Melo, do Flamengo.

O dirigente também tem visitado Brasília com frequência por um projeto de lei que permita com que os clubes brasileiros possam se tornar sociedade anônima e, assim, terem o direito de vender ações. A ideia é de que até 49% dos clubes possam ser controlados por investidores estrangeiros. Bandeira e Sanchez figuraram em algumas dessas reuniões, mas, na última, houve ruptura entre as partes ainda antes da campanha eleitoral.

A ideia de uma nova associação de clubes, debatida em um encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), esbarrou na intenção de que os clubes organizem competições. A CBF usou sua influência para barrar o projeto. Agora, um novo horizonte se abre.

Velho articulador político, Petraglia já foi de PT, PDT e andou com o PSDB

Petraglia ganhou notoriedade nacional na direção do Furacão, mas está envolvido com a política há muito tempo. No final dos anos 80, foi responsável pela articulação da "campanha dos 12 dias", que fez com que Jaime Lerner (PDT) entrasse na corrida pela Prefeitura de Curitiba na reta final e ganhasse o pleito. Em 1997, precisou articular com a bancada paranaense no Governo Federal para que não fosse banido do futebol, acusado de manipulação de resultados ao lado de Alberto Dualib, do Corinthians, entre outros dirigentes, após pedidos de propina do ex-diretor de árbitros da CBF, Ivens Mendes, já falecido. Acabou inocentado no processo.

Petraglia seguiu com Lerner no Governo do Paraná sendo uma espécie de braço direito informal. Depois, já no Governo Lula, se aproximou de Edinho Silva (PT), ex-ministro da Comunicação Social e prefeito de Araraquara, onde Petraglia tem familiares e negócios.

Essa aproximação rendeu parceria entre o Atlético e a Ferroviária, clube de Edinho Silva, que chegou a jogar o Paulistão de 2016 com um time todo montado pelos paranaenses. Antes, no processo da Copa do Mundo de 2014, com Curitiba candidata à sede usando a Arena da Baixada, o trânsito com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff era aberto. Petraglia, porém, não aderiu ao pool de construção dos estádios que envolveu OAS e Odebrecht nas outras 11 praças da Copa e quase ficou de fora do Mundial.

Articulou o Conselho do Atlético-PR para uma votação que recusou a OAS como construtora da reforma da Arena e montou o que chamou de "projeto de autogestão", quando contratou várias prestadoras de serviços para erguerem o estádio. Entre os prestadores estavam o genro, o engenheiro civil Luiz Volpato, o primo, o arquiteto Carlos Arcos, e o filho Mario Keinert Petraglia, que possui uma empresa fabricante de cadeiras, a Kangoo, que forneceu assentos também para outros estádios, como o Nacional, em Brasília.

À época, a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann e o ex-ministro das Comunicações e do Planejamento, Paulo Bernardo, ambos casados e paranaenses, eram figuras constantes nos jogos do Atlético. As manifestações pró-Bolsonaro nas redes sociais de Petraglia e indiretamente usando o clube, como nos episódios da mensagem no primeiro turno das eleições e da camisa amarela no jogo contra o Botafogo já davam o tom da mudança de lado do dirigente atleticano, cujo mandado no clube é compartilhado com Luiz Sallim Emed e irá até 2019.

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