Ademir da Guia, o Divino, completa 84 anos nesta sexta-feira (3).
Recordista de atuações com a camisa do Palmeiras, com 902 jogos, é o terceiro maior artilheiro da história alviverde, com 153 gols, atrás apenas de Heitor (284) e César Maluco (180).
Os números de Ademir da Guia ainda são mais expressivos quando levamos em consideração o fato de que era um meia-esquerda, enquanto Heitor e César eram autênticos centroavantes.
Filho de outro grande nome do futebol brasileiro, o zagueiro Domingos da Guia (1912-2000), o carioca Ademir da Guia começou no Bangu, onde atuou entre 1961 e 1962, e desembarcou no Palestra Itália em 1962, onde manteve-se até o final de sua carreira, em 1977.
Para muitos, Ademir foi o maior nome da história do Palmeiras, superando inclusive o goleiro Marcos, ídolo maior das gerações palestrinas mais recentes.
Milton Neves costuma dizer que o jeito calado do "Divino" dificultou voos mais altos no futebol.
"Ele foi melhor que Cruyff (1947-2016), mas esqueceu de avisar", avalia Milton.
Falando em Cruyff, Ademir da Guia poderia ter enfrentado o holandês na derrota brasileira na Copa de 74 por 2 a 0, resultado que levou a "Laranja Mecânica" à final contra a anfitriã Alemanha, que ficou com o título.
O Brasil disputou o terceiro lugar, e Ademir da Guia finalmente teve sua chance naquele Mundial, começando a partida contra a Polônia na disputa pelo terceiro lugar. Lato fez o único gol do jogo na vitória polonesa. Ademir acabou sendo substituído por Mirandinha.
A genialidade de Ademir da Guia rendeu até um poema, escrito por um dos principais nomes da literatura brasileira, João Cabral de Melo Neto (1920-1999), autor, entre outros livros, de "Morte e Vida Severina", que segue abaixo:
Ademir da Guia (poema de João Cabral de Melo Neto
Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.
Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o
Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

ABAIXO, UM VÍDEO PRODUZIDO POR JÔNATAS FREITAS QUE ILUSTRA DE FORMA CLARA OS VERSOS EXPRESSADOS POR JOÃO CABRAL DE MELO NETO


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