O saudoso narrador esportivo Januário de Oliveira (1940-2021) anunciava sempre que um jogador estava contundido, precisando de cuidados médicos:
"Tá lá um corpo estendido no chão", dizia Januário, que notabilizou-se sobretudo nas locuções do futebol carioca, com este e outros bordões.
E, invariavelmente, sobretudo nas partidas disputadas no Maracanã e em São Januário, Mário Américo, Nocaute Jack e Pai Santana deixavam seus postos para atender os contundidos, munidos de suas maletas cheias de apetrechos salvadores.
Em São Paulo, outro trio também era bem conhecido dos torcedores do Santos, Juventus e Corinthians, respectivamente, Macedo, Elias Pássaro e Rocco.
E, para homenageá-los (infelizmente nenhum deles está mais entre nós), detalhamos as trajetórias deles, a começar pelo mais famoso de todos, Mário Américo, que trabalhou na Seleção Brasileira a partir de 1950, e esteve presente nas conquistas dos três primeiros mundiais (1958, 1962 e 1970).
Mineiro de Monte Santo, onde nasceu em 28 de julho de 1912, Mário Américo chegou a ter uma carreira como pugilista, mas abandonou o esporte para dedicar-se ao curso de Educação Física e se especializou como massagista, com passagens por Madureira, Vasco da Gama e Portuguesa de Desportos, antes de chegar à Seleção Brasileira, em 1950. Deixou a profissão após a Copa do Mundo de 1974, disputada na Alemanha, ocasião em que já dividia a tarefa desde 1970 com Nocaute Jack, que abraçou esta função daí em diante, até 1994. Mário Américo morreu aos 77 anos, em 9 de abril de 1990.CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS, NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

Mineiro como Mário Américo, Nocaute Jack "pegou o bastão" deixado pelo amigo a partir da Copa de 1978, ocasião em que iniciou seu trabalho "solo" na função de massagista da Seleção Brasileira. Porém, já em 1970, trabalhava com o time brasileiro, dividindo a função com Mário Américo na Copa do México, em 1970.
Foi o massagista da Seleção Brasileira até a Copa de 1994, nos Estados Unidos.
Nascido em Andrelândia no ano de 1923, Nocaute Jack, cujo nome oficial era Abilio José da Silva, ganhou o apelido por ter sido lutador de "Luta Livre". Ele morreu em Teresópolis (RJ) em 16 de maio de 2003, aos 80 anos, vítima de um infarto fulminante, enquanto guiava seu carro em uma estrada de Teresópolis. CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS, NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

Eduardo Santana, o Pai Santana, como ficou nacionalmente conhecido, sobretudo pela torcida do Clube de Regatas Vasco da Gama, ganhou notoriedade não apenas por suas habilidades como massagista, mas também como uma espécie de conselheiro espiritual dos atletas, pois tinha uma vivência muito grande com as religiões de matrizes africanas.
Curiosamente, a exemplo de Mário Américo e de Nocaute Jack, Pai Santana também era mineiro (de Andrelândia, onde nasceu em 1934), mesma cidade natal de Nocaute Jack), e também foi pugilista antes de se dedicar à profissão que o tornou conhecido nacionalmente.
Também trabalhou na Seleção Brasileira e foi massagista do Botafogo (RJ), Fluminense e Bahia, mas foi pelo Cruzmaltino que ele ficou famoso, e sua imagem aparece em inúmeras fotos da equipe de São Januário entre as décadas de 1950 e meados dos anos 2000. Ele morreu em 1º de novembro de 2011, aos 77 anos, vítima de uma pneumonia, alguns anos após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral). CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS, NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

José Macedo da Silveira, o Macedo, foi a pessoa que mais viu Pelé atuar de perto, ao longo das décadas que trabalhou como massagista do Santos Futebol Clube.
Sergipano do município de Arauá, onde nasceu no dia 27 de março de 1925, Macedo era requisitado pelos atletas do time da Vila Belmiro também antes dos jogos, pois suas "máos mágicas" deixavam as musculaturas no ponto ideal, e também após as partidas, com um refinado trabalho de relaxamento.
Lépido, o esguio Macedo rapidamente chegava para atender os jogadores lesionados, munido de sua pesada maleta.
Pelé era um fã incondicional do profissional, o levou para ser seu funcionário em um sítio em Juquiá, na região do Vale do Ribeira (SP) durante vários anos, enquanto o Rei manteve a propriedade.
Depois, Macedo retornou a Santos, e morreu em 23 de agosto de 2004, vítima de um câncer na próstata. CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

Nascido no bairro da Mooca em 8 de julho de 1928, o paulistano Elias Pássaro, massagista, enfermeiro e farmacêutico, não poderia ter outro destino a não ser trabalhar em seu clube de coração, o Clube Atlético Juventus.
No clube grená, Elias Pássaro trabalhou entre 1953 e 2002, ano em que passou a trabalhar na enfermaria do Estádio Conde Rodolfo Crespi, a casa juventina.
A exemplo de Macedo, o massagista do Santos, Elias Pássaro também aparece em dezenas de fotos de formações do Juventus entre as décadas de 1950 e início dos anos 2000.
Elias Pássaro morreu em sua casa, na Mooca, aos 87 anos, em 26 de janeiro de 2006. CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

Descendente de espanhóis, o paulistano Roberto Sanches, o Rocco, é outro massagista que aparece em muitas fotos ao lado dos atletas que cuidou com tanto esmero e carinho, os do Sport Club Corinthians Paulista, onde trabalhou desde o começo dos anos 70 ao lado dos médicos Osmar de Oliveira e Léo Vilarinho.
Era Rocco o massagista do Alvinegro na eletrizante noite de 13 de outubro de 1977, ocasião em que o time comandado por Oswaldo Brandão derrotou a Ponte Preta por 1 a 0, gol de Basílio, no Morumbi, encerrando um jejum de títulos que durava desde 1954. CLIQUE AQUI E VEJA MAIS DETALHES DE SUA CARREIRA E MUITAS FOTOS NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?" DO PORTAL TERCEIRO TEMPO.

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