Xodó do país, a Chapecoense jamais sairá do coração de todo brasileiro

Xodó do país, a Chapecoense jamais sairá do coração de todo brasileiro

O relógio marcava 6h24 da manhã. Eu ainda dormia quando o celular tocou. Meu pai, surpreso, me questionou na ligação: "O que aconteceu com o avião da Chapecoense?".

Começava ali um dos dias mais tristes da minha vida como jornalista e, principalmente, da história do esporte.

Sonolento, confuso e desinformado, logo respondi a ligação: "não sei, não to sabendo. O que aconteceu?", respondi. "O avião do time caiu na Colômbia, acabei de ouvir no rádio. Ainda não sabem nada sobre mortes, resgataram alguns jogadores", ele explicou.

Ao ligar a TV, a tragédia se confirmava. Ainda falava-se em 25 vítimas fatais. Os minutos se passaram, o número de mortos aumentou e ao organizar o pensamento veio a conclusão precipitada: é a maior tragédia da história do esporte brasileiro. Mal sabia eu que a fatalidade com a Chape ganharia proporções ainda maiores, tornando-se, certamente, a maior tragédia da história do esporte.

Liderada por Caio Junior e capitaneada por Cléber Santana, a Chapecoense viajou à Medellín para fazer história no primeiro dos dois jogos mais importantes de sua trajetória. O confronto era difícil, afinal, o adversário na final da Copa Sul- Americana seria o atual campeão continental, o fortíssimo Atlético Nacional, mas a carismática Chape tinha todo o Brasil ao seu lado para buscar o primeiro título internacional de sua vida.

Quis o destino que o embarque rumo à glória fosse interrompido tragicamente devastando um clube... uma cidade. Impossível não lembrar os acidentes do Torino, em 1949, e do Manchester United, em 1958.

Eu não tinha laços afetivos com nenhum dos passageiros daquele voo – com exceção da absurda admiração pelo espetacular narrador Deva Pascovicci, da Fox Sports –, mas nem era preciso. Como todo brasileiro, senti a dor da pancada. Acusei o golpe. Me emocionei. O pensamento não se organizava. Parecia ficção e então fiquei esperando o momento em que aquele filme chegaria ao fim. Difícil descrever a sensação sentida por mim e, talvez, por todos os brasileiros. Uma angústia difícil de sair do peito.

Nesse momento o futebol é o que menos importa. Mas ter a Chapecoense bem em 2017 é a melhor forma de homenagear os guerreiros do Verdão do Oeste. Reza a lenda que no passado o índio Condá uniu as tribos da região pela paz. Coincidência ou não, estamos todos unidos hoje pela Chapecoense. Mais do que isso, todos os clubes brasileiros estão unidos para auxiliar o clube catarinense a se levantar. Que nesse momento de tristeza, o torcedor brasileiro aprenda uma lição: não brigue por futebol. A vida é valiosa demais para perder tempo com isso. Essa paixão pode ser positiva, amigos.

Assim como diz a nota do Atlético Nacional, lamentando a tragédia com o adversário na disputa do título da Sul-Americana, a Chapecoense é a nossa campeã. Dar o título ao time da Arena Condá não minimiza a dor das famílias, não alivia o trauma e não apaga em nada a tragédia ocorrida em Medellín. Mas é uma forma bonita e justa de homenagear todos aqueles que se foram sonhando em levantar o troféu sul-americano.

Força, Chape. Como cantou a torcida do Liverpool em sua homenagem, you´ll never walk alone!

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